Mato Grosso do Sul, 8 de maio de 2026

Apostas online retiram R$ 143 bilhões do comércio brasileiro

Estudo da CNC associa gastos com "bets" ao aumento da inadimplência severa

O avanço das apostas eletrônicas no Brasil retirou R$ 143 bilhões do comércio varejista entre janeiro de 2023 e março de 2026. O montante, estimado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), equivale ao faturamento somado de dois períodos de Natal (2024 e 2025). Segundo a entidade, o gasto mensal com as plataformas superou os R$ 30 bilhões no período, drenando recursos que deveriam ser destinados ao consumo de bens e serviços.

A análise aponta que o chamado “entretenimento” das bets agravou a saúde financeira das famílias, levando cerca de 270 mil lares à situação de inadimplência severa — caracterizada por atrasos superiores a 90 dias.

Impacto no Perfil de Consumo

De acordo com o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, o endividamento causado pelas apostas força as famílias a sacrificarem gastos essenciais e supérfluos. “Muitos deixam de trocar de celular ou de comprar vestuário devido ao agravamento da dívida”, explica.

O estudo revela que a vulnerabilidade varia conforme o grupo demográfico, sendo mais acentuada entre:

  • Homens e pessoas com mais de 35 anos;
  • Famílias com renda de até 5 salários mínimos;
  • Pessoas com maior nível de escolaridade (ensino médio completo ou superior).

Regulação e Divergência de Dados

O presidente da CNC, José Roberto Tadros, classificou o impacto das bets como um risco macroeconômico e defendeu limites mais rígidos à publicidade do setor. Atualmente, 80,4% das famílias brasileiras possuem algum tipo de dívida.

Por outro lado, o setor de apostas contesta os números. O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) e a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) notificaram a CNC cobrando transparência metodológica. As entidades classificam as conclusões como “alarmistas” e afirmam que os dados divergem das métricas oficiais do Governo Federal, desconsiderando a natureza multifatorial do endividamento no Brasil.

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