EUA investigam JBS e gigantes da carne por práticas anticompetitivas

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ) abriu uma investigação avançada contra as quatro maiores empresas do setor de proteína animal no mundo — incluindo a brasileira JBS, a Cargill, a Tyson Foods e a National Beef (controlada pela Marfrig). As companhias são suspeitas de violações das leis antitruste e troca de informações sensíveis para manipular preços.
A investigação ganha força em um cenário crítico para o consumidor norte-americano: a disparada nos preços da carne bovina e a redução drástica do rebanho nacional, que atingiu o menor patamar em 76 anos.
Concentração de mercado e poder de preço
O foco das autoridades está na estrutura do setor. Atualmente, as quatro gigantes investigadas controlam 85% do processamento de carne bovina nos Estados Unidos. Essa concentração daria às empresas um poder sem precedentes para ditar os preços pagos aos pecuaristas e os valores cobrados nas gôndolas.
“Essas empresas têm uma capacidade sem precedentes de exercer poder de mercado e influenciar os preços”, afirmou a secretária de Agricultura, Brooke Rollins. Segundo o procurador-geral interino, Todd Blanche, o modelo de negócio atual pode facilitar o compartilhamento de estratégias que afetam não apenas a carne bovina, mas também frango, suínos e peru.
Evidências e programa de denunciantes
O processo investigativo já conta com:
- 3 milhões de documentos analisados;
- Centenas de entrevistas com produtores e agentes da cadeia;
- Análise de impacto das exportações no desabastecimento interno.
Para acelerar a coleta de provas, o governo lançou um programa de incentivo a denunciantes. Informantes que ajudarem em condenações superiores a US$ 1 milhão poderão receber entre 15% e 30% do valor das multas aplicadas.
Próximos passos
A expectativa da Casa Branca é que medidas judiciais ou acordos de reparação sejam anunciados ainda nesta semana. O mercado global de proteínas aguarda o desfecho, visto que sanções nos EUA podem impactar as operações internacionais das empresas envolvidas. Até o momento, as companhias citadas não comentaram oficialmente as investigações.



