Mato Grosso do Sul, 9 de agosto de 2026

Presidente Gerson Claro apresenta balanço da missão de Mato Grosso do Sul à Ásia

Claro classificou com saldo positivo a apresentação de Mato Grosso do Sul para o mundo

Na sessão desta quarta-feira (20), o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, deputado Gerson Claro (PP), fez um balanço da missão internacional realizada entre 4 e 16 de agosto, liderada pelo governador Eduardo Riedel. A comitiva percorreu Índia, China e Singapura com a intenção de atrair investimentos, reposicionar a imagem do Estado no cenário global e consolidar Mato Grosso do Sul como polo de desenvolvimento.

O presidente foi enfático ao reconhecer um desafio: o Estado ainda é pouco conhecido nas principais embaixadas e grandes empresas estrangeiras. “Por isso, levamos material destacando nossa transição energética, a verticalização da produção, a alta produtividade da soja, o compromisso com o carbono neutro até 2030 e a segurança alimentar”, pontuou.

Combate à imagem negativa do Brasil e de MS

Gerson Claro destacou dados apresentados pelo governador que reforçam a credibilidade de Mato Grosso do Sul: a redução da área de pecuária de 20 milhões para 16 milhões de hectares em 15 anos, mesmo com aumento do rebanho; a produtividade crescente da soja; a taxa de desemprego estabilizada em 2,9% desde 2012; e políticas sustentáveis que remuneram boas práticas.

Mesmo assim, reconheceu que o debate foi atravessado por tensões externas. “Apesar da agenda ter sido construída antes do tarifaço dos Estados Unidos, o tema foi inevitável. A imagem vendida do Brasil e de MS ainda é de aftosa, desmatamento e carne de baixa qualidade. Conseguimos desconstruir essa visão e mostrar outra realidade a grandes empresas e embaixadas”, relatou.

O parlamentar também chamou atenção para o que considera um desequilíbrio na divulgação de informações sobre o Estado. “Se houvesse queimadas neste período de seca, a repercussão seria enorme. Mas quando temos chuvas e não há incêndios, nada é mostrado. É autossabotagem”, criticou, lembrando que medidas importantes como a Lei do Pantanal, aprovada pela Assembleia, quase não foram mencionadas no exterior.

Agência estadual de exportações e nova geopolítica

No debate, o deputado Pedrossian Neto (PSD) reforçou a crítica à “autossabotagem” e defendeu medidas institucionais mais estruturadas. “Há grupos organizados em contato com o exterior para destacar apenas notícias ruins. Precisamos de uma agência estadual de promoção de exportações, a exemplo da ApexBrasil, para fortalecer nossa imagem e atrair investimentos com profissionalismo”, disse.

Já o deputado Pedro Kemp (PT) apontou para a necessidade de repensar a geopolítica brasileira. “Existe um mundo além dos Estados Unidos. O tarifaço de Trump mostrou que o império norte-americano está em decadência. Quem está em ascensão são a China, a Índia e os países do BRICS, que terão um futuro brilhante se souberem se posicionar com soberania”, afirmou.

Comércio sem ideologia

Ao concluir, Gerson Claro reforçou que a diplomacia econômica precisa se sobrepor a disputas políticas. “Relacionamento comercial não pode ser ideologia. Precisamos vender para a China, fortalecer o BRICS e, sobretudo, buscar aquilo que melhora a vida da população brasileira”, declarou.

Com a fala do presidente e os apartes dos deputados, a Assembleia consolidou o tom político da missão: projetar Mato Grosso do Sul na Ásia não é apenas abrir mercados, mas disputar narrativas, construir soberania e afirmar um modelo de desenvolvimento sustentável que ultrapassa fronteiras.

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