Mato Grosso do Sul, 6 de julho de 2026

Lula defende soberania e ações amplas contra o narcotráfico no G7

Presidente discursou em Évian sobre crime organizado e tecnologia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta terça-feira (16), durante a reunião de cúpula do G7 em Évian, na França, que o combate ao narcotráfico deve ser feito com total respeito à soberania dos Estados. Em seu discurso para as sete maiores economias do mundo, Lula enfatizou que o enfrentamento ao crime organizado precisa ser amplo, englobando o combate a ilícitos associados, como o tráfico de armas e a lavagem de dinheiro, por meio da cooperação via Interpol.

A declaração do mandatário brasileiro surge como uma reação direta à recente decisão dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações “narcoterroristas”. Pela legislação norte-americana, essa rotulação abre brechas legais para eventuais interferências ou sanções externas sobre o território brasileiro.

“O crime organizado aterroriza comunidades e desvia recursos públicos que deveriam ser direcionados para a construção de escolas, hospitais e estradas. Esse esforço deve levar em conta o respeito à soberania dos Estados”, pontuou o presidente.

Minerais críticos e Inteligência Artificial

Além da segurança pública, Lula levou ao painel do G7 demandas econômicas voltadas aos países em desenvolvimento. O presidente defendeu que as nações detentoras de minerais críticos não fiquem restritas à mera extração de matéria-prima, mas que participem ativamente das etapas de maior valor agregado das cadeias globais.

Para o presidente, o avanço tecnológico precisa vir acompanhado de industrialização local, transferência de tecnologia e capacitação técnica, de modo que a revolução digital não aprofunde o abismo social entre as nações.

“As transições energética e digital não podem reproduzir padrões históricos que concentram benefícios econômicos em poucos atores”, concluiu Lula, ao alertar que o acesso a ferramentas de ponta, como a inteligência artificial, precisa ser democratizado globalmente.

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