Exportações de carne bovina batem recorde histórico em junho

As exportações brasileiras de carne bovina — somando os segmentos in natura, industrializadas e miúdos — atingiram o maior volume já registrado para um mês de junho na história do país. Ao todo, o Brasil embarcou 324,35 mil toneladas da proteína no mês passado, superando o recorde anterior estabelecido em junho de 2025.
De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) analisados pela consultoria Agrifatto, o volume representa uma alta de 6,24% em relação a maio de 2026 e um avanço expressivo de 13,55% no comparativo com o mesmo período do ano passado. O desempenho gerou uma receita de US$ 1,97 bilhão, faturamento 36,52% superior ao de junho anterior.
O resultado consolidou o primeiro semestre de 2026 como um período histórico para a pecuária de corte brasileira. Entre janeiro e junho, as exportações totais acumularam 1,76 milhão de toneladas, um crescimento de 13,86% frente à primeira metade de 2025.
O preço médio da tonelada no semestre fixou-se em US$ 6.052,16, registrando valorização anual de 18,93%. O patamar supera o recorde histórico anterior, que pertencia ao ano de 2022 (US$ 6.038,29).
Liderança chinesa e barreiras tarifárias
A China manteve o posto de principal parceiro comercial do Brasil, absorvendo 48,84% de todo o volume exportado em junho. Os frigoríficos brasileiros enviaram 158,42 mil toneladas ao país asiático, alta mensal de 2,96% e avanço anual de 17,85%.
No entanto, o mercado projeta uma acomodação no ritmo de envios para os chineses a partir de julho.
“O desempenho chama atenção por ter ocorrido mesmo diante da sinalização de algumas indústrias sobre a paralisação dos envios ao gigante asiático a partir da segunda quinzena do mês”, observou a Agrifatto, sinalizando os efeitos de uma medida de salvaguarda da China que aplica tarifa adicional de 55% para os embarques que superarem a cota anual de 1,1 milhão de toneladas.
Diversificação global de destinos
Para além do mercado chinês, o mês de junho consolidou a estratégia brasileira de abrir e expandir novas frentes comerciais. Os Estados Unidos consolidaram-se como o segundo maior comprador, enquanto mercados da Ásia, do Oriente Médio e da América Latina demonstraram forte tração de crescimento.
Abaixo, confira o desempenho dos principais destinos complementares em junho de 2026:
- Estados Unidos: 26,35 mil toneladas (segundo maior comprador do mês, alta de 44,53% no comparativo anual);
- Chile: 12,83 mil toneladas (crescimento de 52,07% em relação a maio);
- México: 11,84 mil toneladas (salto expressivo de 95,60% na comparação mensal);
- Hong Kong: 9,89 mil toneladas (ganho de 11,92% no mês);
- Indonésia: 9,25 mil toneladas (avanço de 63,60% no mês e 89,60% em relação a junho de 2025);
- Arábia Saudita: 8,88 mil toneladas (alta de 74,70% frente a maio).
Segundo a Agrifatto, os avanços consistentes nesses países indicam que a diversificação geográfica conquistada ao longo do ano deve mitigar e compensar parcialmente a desaceleração prevista nas compras da China para o próximo mês.



