Mato Grosso do Sul, 9 de agosto de 2026

Congresso discute urgência de proteger a infância na internet

Mais de 60 projetos de lei já tramitam sobre o assunto, à espera de decisão

Na quarta-feira (20), os olhos de Brasília se voltam para um tema que atravessa fronteiras, muros escolares e paredes de lares: a segurança das crianças na internet. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), convocou uma comissão geral para tratar de medidas efetivas contra um mal silencioso, mas cada vez mais presente — a exposição precoce e nociva de meninos e meninas nas redes.

“Uma infância perdida não se recupera. Uma criança ferida carrega essa marca para sempre”, declarou Motta, com a firmeza de quem enxerga urgência no debate.

Não se trata de uma pauta qualquer. Mais de 60 projetos de lei já tramitam sobre o assunto, à espera de decisão. Paralelamente, um grupo de trabalho formado por parlamentares e especialistas terá 30 dias para estudar as propostas e apontar caminhos.

A faísca que acendeu o debate

O tema ganhou repercussão depois que o influenciador Felca Bress denunciou perfis que exploram crianças e adolescentes em vídeos nas plataformas digitais — meninos e meninas dançando músicas sensuais, muitas vezes em trajes inadequados, ou reproduzindo diálogos de conotação sexual. A prática, conhecida como “adultização infantil”, transforma inocência em mercadoria e cliques em lucro, às custas da vulnerabilidade de quem ainda não sabe se proteger.

O olhar do Executivo

O debate ecoou até o Palácio do Planalto. Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que enviará ao Congresso uma proposta para regulamentar o funcionamento das redes sociais no Brasil.

“Nós vamos regulamentar porque é preciso criar o mínimo de comportamento e de procedimento no funcionamento de uma rede digital. O que acontece hoje é que ninguém assume a responsabilidade pelo conteúdo nesses ambientes”, disse Lula em entrevista ao jornalista Reinaldo Azevedo.

Para o presidente, não é admissível abrir mão de garantir tranquilidade às crianças, frequentemente expostas a riscos de abuso, exploração e até pedofilia.

“Isso não é possível. Por isso é que nós vamos regulamentar”, reforçou.

O desafio de proteger o futuro

Enquanto no Congresso os discursos prometem leis e regulamentações, nas casas brasileiras pais e mães tentam, como podem, vigiar telas que parecem infinitas. A comissão geral desta quarta-feira não será apenas um encontro político; é também um espelho do dilema contemporâneo: como proteger a infância em um mundo onde brincar de bola ou pular amarelinha já não compete com a atração hipnótica das telas?

O desafio está posto. E, como lembrou Motta, o tempo é um luxo que as crianças não podem esperar.

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