Mato Grosso do Sul, 6 de julho de 2026

Título: MS lidera ranking nacional de combate ao desmatamento ilegal

Estado registra menor índice de supressão sem licença ambiental do País

Mato Grosso do Sul registrou a menor área de desmatamento sem licença ambiental do Brasil nos últimos sete anos. Os dados, que consolidam o Estado na liderança nacional do combate à ilegalidade, constam no Relatório Anual de Desmatamento (RAD) 2026, publicado pela rede colaborativa MapBiomas.

Entre os anos de 2019 e 2025, o Estado teve 368.931 hectares de vegetação nativa suprimidos. Desse total, 277.357 hectares — o equivalente a 75,2% — contavam com autorização legal emitida pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul). A evolução do controle ambiental reflete-se nos índices anuais: em 2019, apenas 31,6% do desmatamento era autorizado; já no ano passado, o percentual de legalidade saltou para 94,3%, o maior do País.

O bioma Pantanal, que mantém mais de 84% de sua cobertura nativa preservada, destacou-se com o segundo menor número de alertas de desmatamento do Brasil no último ano, somando 163 registros e 12.260 hectares suprimidos. Destes, 10.042 hectares possuíam licença ambiental.

“Não há um fator sozinho que explique esse resultado”, pondera o secretário da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), Artur Falcette. “Primeiro, a Lei do Pantanal trouxe mais segurança jurídica e reduziu a possibilidade de conversão de novas áreas. Segundo, tivemos a incorporação dos corredores ecológicos na legislação, limitando a conversão nessas áreas de integração”, explica.

Detentor de dois terços do bioma, o Governo do Estado intensificou a fiscalização com a Lei do Pantanal, em vigor desde fevereiro de 2024. A norma transformou em Áreas de Preservação Permanente (APP) os landis, salinas, veredas e meandros abandonados, além de garantir proteção especial a capões e cordilheiras.

A legislação proíbe novos cultivos de soja, cana-de-açúcar, eucalipto e outras culturas exóticas na Área de Uso Restrito (AUR-Pantanal). A pecuária extensiva segue permitida, desde que sem degradação, assim como a agricultura familiar de subsistência.

Aliado à fiscalização, o Programa de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) remunera produtores rurais que abrem mão do direito legal de desmatar. No primeiro edital do PSA Conservação e Valorização da Biodiversidade, foram distribuídos R$ 2,9 milhões a 40 produtores, garantindo a preservação de 112 mil hectares de vegetação nativa excedente. O segundo edital, com 23 propriedades inscritas, deve ter o resultado final divulgado em meados de julho.

Para Falcette, além das leis e dos incentivos, o sucesso se deve à mudança cultural no campo. “Há a consolidação da mentalidade do produtor de produzir e preservar. Por séculos, o homem pantaneiro está acostumado a conviver com o Pantanal de forma harmoniosa”, conclui.

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