Pantanal 2025: o fogo que quase não veio

Em meio à vastidão alagada do Pantanal, um número quase inacreditável chama atenção: apenas 13,5 mil hectares queimados em 2025. Um contraste gritante com os 805,8 mil hectares devastados no ano passado. A queda de quase 99% é celebrada como um feito histórico, resultado de uma combinação de estratégia, tecnologia e condições climáticas mais favoráveis.
Os focos de calor, outrora incontáveis, foram registrados em apenas 89 pontos no bioma, segundo o Cemtec. No Cerrado, também houve melhora significativa: os incêndios caíram 60%, mostrando que a ação coordenada contra o fogo não se limita às águas pantaneiras.
A força da Operação Pantanal
Por trás desses números, estão 676 militares, bases avançadas estrategicamente espalhadas e equipamentos de monitoramento de ponta. A Operação Pantanal 2025, conduzida pelo Corpo de Bombeiros, já contabiliza quase 200 ações de combate, 32 brigadas formadas com mais de 760 pessoas treinadas e 484 monitoramentos de eventos de fogo, permitindo respostas rápidas e descentralizadas.
“Nosso trabalho não é só apagar fogo, é prevenir que ele se alastre”, explica um dos coordenadores da operação, que acompanha de perto cada ponto de risco no mapa do estado. Em 2024, municípios como Corumbá, Porto Murtinho e Aquidauana concentraram quase todos os focos de calor, colocando o Pantanal sob alerta extremo e consumindo áreas de conservação e terras indígenas. Este ano, a realidade é outra.
O clima como aliado
Além das brigadas e da tecnologia, o clima deu uma trégua. Enquanto o inverno passado foi mais quente e seco, favorecendo a propagação das chamas, 2025 trouxe temperaturas próximas ou até abaixo da média histórica, acompanhadas de chuvas melhor distribuídas. Essa combinação ajudou a proteger o bioma, que em 2024 sofreu perdas significativas: 24,6 mil hectares de unidades de conservação e 228,8 mil hectares de terras indígenas queimados.
Em 2025, os números despencaram: menos de mil hectares em unidades de conservação, 924 hectares em terras indígenas e a Rede Amolar, uma das mais afetadas, com apenas 322 hectares queimados.
O Pantanal entre alerta e esperança
Apesar da redução, o risco de incêndios ainda é real. Ventos quentes do norte e leste e umidade relativa baixa mantêm o alerta em níveis muito altos e extremos, mas a chegada de uma frente fria entre 19 e 21 de agosto promete aliviar a tensão, trazendo chuvas que refrescam a planície e reduzem a ameaça de fogo.
Neste cenário, o Pantanal parece respirar aliviado, resultado da união entre planejamento, força humana e um clima mais generoso. Um lembrete de que a preservação exige vigilância constante, mas que é possível, com estratégia e dedicação, proteger um dos biomas mais preciosos do planeta.



