MS lidera governança climática no Brasil e foca em Carbono Neutro 2030

Mato Grosso do Sul consolidou-se como a única unidade da federação a cumprir integralmente todos os quesitos de governança climática estabelecidos entre os entes subnacionais. O dado integra a segunda edição do Anuário Estadual de Mudanças Climáticas, divulgado pelo Centro Brasil no Clima (CBC), que monitora o estágio das políticas ambientais e indicadores de emissões em todo o país.
A liderança sul-mato-grossense é sustentada pela execução das sete condicionantes essenciais para a política climática, que incluem a criação de fóruns, planos de ação para resíduos sólidos e recursos hídricos, além de inventários de gases de efeito estufa (GEE). O estado mantém a meta mais ambiciosa do Brasil: atingir o status de Estado Carbono Neutro até 2030.
Avanços em Gestão e Resíduos
O desempenho do estado reflete avanços estruturais significativos na última década:
- Resíduos Sólidos: A destinação correta de resíduos urbanos saltou de 44% em 2015 para 85% em 2024.
- Cadastro Ambiental Rural (CAR): Ao lado de Minas Gerais e Bahia, MS concluiu todas as etapas de gestão e regularização ambiental.
- Instrumentos Financeiros: O governo estadual já opera mecanismos como o ICMS Verde e fundos específicos para recursos hídricos e clima.
Para o titular da Semadesc, Jaime Verruck, o resultado é fruto de uma estratégia que une crescimento econômico à conservação. “O sucesso se deve à opção pelo desenvolvimento sustentável que alia o social e o econômico”, pontuou.
Economia e Redução de Emissões
Além do protagonismo ambiental, Mato Grosso do Sul apresentou o segundo maior crescimento do PIB no Brasil em 2023, com 13,4%. No campo social, figura entre os cinco estados com menor desigualdade de renda, segundo o Índice Gini (0,455).
No balanço ambiental de 2024, o bioma Pantanal registrou a maior redução de desmatamento do país, com queda de 58,6% em comparação ao ano anterior. O estado também avançou na redução de emissões de GEE, acompanhando uma tendência nacional de queda no volume de dióxido de carbono liberado na atmosfera.
Desafios: Recuperação de Pastagens
Apesar dos indicadores positivos, o Anuário aponta que o grande desafio regional reside na agropecuária. Mato Grosso do Sul possui 12,3 milhões de hectares de pastagens com baixo ou médio vigor. O governo projeta reverter esse cenário através de programas como o FCO Verde e o Prosolo, que visam converter áreas degradadas em sistemas produtivos sustentáveis, como a integração lavoura-pecuária e a silvicultura.



