Mato Grosso do Sul, 10 de agosto de 2026

Ponte Internacional sobre o Rio Paraguai: 70% de uma travessia sonhada

Construção da ponte entre o Brasil e Paraguai da Rota Bioceânica

O voo sobre o Rio Paraguai, na manhã de sexta-feira (15), revelou uma cena que parecia metáfora: concreto, aço e engenharia desenhando no ar o futuro de dois países. A Ponte Internacional sobre o Rio Paraguai, ligação física inédita entre Brasil e Paraguai, já tem mais de 70% das obras concluídas.

No meio da imensidão azul do rio, ergue-se o chamado “trem de avanço”, estrutura que se estende pouco a pouco até encontrar o coração da correnteza. Do lado brasileiro, ele já alcança o primeiro pilar de sustentação — marco visível de que a promessa está deixando o papel.

O projeto, de US$ 100 milhões, financiado pela Itaipu Binacional (lado paraguaio), tem previsão de conclusão para 2026. A execução cabe ao Consórcio PYBRA (Tecnoedil S/A, Paulitec Construções Ltda e Cidades Ltda), sob comando do engenheiro paraguaio Renê Gomez, com fiscalização do Ministério de Obras Públicas e Comunicação (MOPC) do Paraguai.

O caminho brasileiro

Enquanto isso, no lado brasileiro, outro desafio avança: os 13,1 km de acesso a partir da BR-267. O trecho, contratado pelo DNIT e financiado pelo Novo PAC, já está em execução sob responsabilidade do Consórcio PDC Fronteira (Caiapó Construções, DP Barros Pavimentações e Paulitec Construções). O orçamento soma R$ 472 milhões, e a entrega também está prevista para 2026.

Mais que uma ponte

Quando os dois braços de concreto finalmente se encontrarem no centro do rio, não será apenas uma obra concluída. Será o nó estratégico da Rota Bioceânica, corredor logístico que encurta caminhos e custos entre o Centro-Oeste brasileiro e os portos do Chile — Mejillones, Antofagasta, Tocopilla e Iquique.

Da América do Sul até a Ásia, grãos, carnes e minérios vão ganhar uma estrada mais curta. Para os moradores da fronteira, a ponte será também símbolo de integração: um arco sobre o rio que, por séculos, separou e uniu ao mesmo tempo.

Até lá, o concreto segue avançando centímetro a centímetro, como se desenhasse no horizonte um futuro já à vista.

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