Mato Grosso do Sul, 10 de agosto de 2026

Pesquisa aponta confiança, mas falhas na cibersegurança na América Latina

Estudo da Kaspersky revela sistemas desatualizados e riscos às empresas

Profissionais de cibersegurança na América Latina demonstram alta confiança na capacidade de identificar ameaças digitais (93%) e avaliam como excelente a resposta rápida a incidentes (92%). Apesar disso, admitem fragilidades relevantes: 35% reconhecem que os sistemas estão desatualizados, 36% apontam a necessidade de mais investimentos em detecção de ameaças e 51% defendem a aquisição de softwares especializados.

Os dados fazem parte de uma pesquisa inédita da Kaspersky com 300 profissionais da área, entre CIOs, CISOs, CTOs e especialistas em segurança da informação. Para o presidente da empresa, Roberto Rebouças, os números refletem uma visão ainda limitada do tema nas organizações. “Para a maioria das empresas, a cibersegurança continua sendo tratada como uma despesa na qual se tenta gastar o mínimo possível”, afirma.

Um dos pontos mais preocupantes do levantamento, segundo Rebouças, é que 56% das empresas não mantêm um cronograma regular de avaliação de riscos e atuam apenas de forma reativa. “Quando se reage, significa que o criminoso já entrou na infraestrutura da empresa e causou danos que podem aparecer mais tarde. Não basta reagir. É preciso ter tecnologias capazes de identificar ameaças novas e antigas”, explica.

Cenário da cibersegurança
O estudo mostra que 81% dos entrevistados observaram aumento significativo dos ataques cibernéticos nos últimos dois anos. Além disso, 38% acreditam que as empresas precisam investir em tecnologias mais voltadas para o futuro, 43% defendem treinamentos adicionais para equipes de TI e 42% apontam a identificação de ameaças em tempo real como uma das etapas mais difíceis no combate ao crime digital.

Erros mais comuns das empresas
Entre os equívocos mais frequentes está a busca pelo sistema de defesa mais caro do mercado, sem a estrutura adequada para operá-lo. “É como comprar uma Ferrari sem saber dirigir. Muitas vezes, o produto exige uma equipe mais madura, que a empresa ainda não tem”, compara Rebouças. Para companhias menores, a recomendação é usar melhor as tecnologias já disponíveis e evoluir gradualmente.

Outro erro recorrente é tratar a cibersegurança apenas de forma reativa. Após sofrer um ataque, a empresa corrige a falha específica e considera o problema resolvido. “Se o primeiro golpe for um ransomware severo, a empresa pode nem sobreviver. E o próximo ataque pode usar uma técnica diferente”, alerta.

Há ainda a falsa percepção de imunidade total. Segundo especialistas, nenhum sistema é completamente seguro diante da evolução constante do cibercrime. O objetivo, afirmam, é tornar o ataque mais caro e complexo, levando o criminoso a desistir. “O hacker busca lucro e vai atacar onde for mais fácil e barato”, diz Rebouças.

Por fim, o estudo chama atenção para a falta de orientação sobre o uso de inteligência artificial generativa. O uso inadequado dessas ferramentas pode expor dados sensíveis ou facilitar fraudes. “A inteligência artificial não tem bom senso. É fundamental orientar os funcionários sobre quais dados podem ser usados e como formular prompts”, conclui o executivo.

Notícias Relacionadas
Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

    Publicidade
    Conffi