Mato Grosso do Sul, 6 de julho de 2026

MS quer atingir 6 mil km de rodovias pavimentadas até o fim do ano

Investimentos em logística atraem R$ 81 bilhões em capital privado

O Governo de Mato Grosso do Sul projeta encerrar o ano com 5.988 quilômetros de sua malha rodoviária estadual pavimentada. A meta faz parte de um plano estratégico de infraestrutura que prevê a entrega de 857 km de novos trechos asfaltados entre 2023 e o fim de 2026. O objetivo do pacote de obras é interligar regiões, aumentar a segurança viária e consolidar o estado como um polo logístico competitivo para o mercado nacional e internacional.

Até 2030, o planejamento estadual prevê ultrapassar a marca de 1.500 km de novo asfalto. Caso o cronograma seja cumprido, Mato Grosso do Sul conquistará um feito inédito na próxima década: ter mais estradas pavimentadas (6.660 km) do que não pavimentadas (5.940 km).

De acordo com o governador Eduardo Riedel, o foco é modernizar a logística para acompanhar o ritmo de crescimento econômico local.

“Nosso objetivo é preparar o Estado com uma infraestrutura e logística moderna, que estará pronta para acompanhar o desenvolvimento e o crescimento econômico. Ao mesmo tempo levar segurança para quem trafega pelas rodovias estaduais, interligando regiões, reduzindo distâncias e melhorando a vida do cidadão”, afirmou o governador.

Esse cenário de forte aporte financeiro colocou o estado em destaque em indicadores nacionais:

  • 3º lugar em qualidade de rodovias no levantamento da CNT (Confederação Nacional do Transporte) de 2024.
  • 6º lugar no ranking de estados que mais promovem investimentos públicos per capita no país.

A eficiência na malha viária foi decisiva para atrair mais de R$ 81 bilhões em investimentos privados nos últimos anos. O movimento consolidou a chegada da nova fronteira da celulose — com gigantes como Suzano, Arauco, Bracell e Eldorado —, além de expandir a citricultura e fortalecer o parque industrial sul-mato-grossense.

Mudança na rotina e no desenvolvimento dos municípios

Além de impulsionar grandes indústrias, a chegada do asfalto transforma o cotidiano das comunidades locais, eliminando os problemas com poeira e lama, reduzindo o tempo de viagem e valorizando os imóveis.

  • Terenos: A pavimentação de 40 km da MS-352 (do entroncamento com a BR-262 até a Ponte do Grego) recebeu R$ 86,5 milhões em recursos estaduais. “Nunca pensei que o asfalto chegaria aqui. Só temos que agradecer”, celebrou a moradora Luzia Torres.
  • Ponta Porã: A entrega de 35,56 km de asfalto na MS-270 em 2024 interligou os distritos de Copo Sujo e Cabeceira do Apa, facilitando o acesso a municípios como Dourados e Maracaju. O morador Josiel Custódio destaca que o trajeto ficou mais rápido e seguro.
  • Bonito: Principal polo de ecoturismo da região, a cidade recebeu a pavimentação de 100 km da “Estrada do 21” (MS-345), reduzindo em até 40 km a viagem até Campo Grande. Outros R$ 46,8 milhões foram aplicados na Rodovia do Turismo, facilitando o acesso a atrativos como o Rio Formoso.

Para Leôncio de Souza Brito Neto, presidente do Sindicato Rural de Bonito, as obras são essenciais para o escoamento da safra em períodos de carga pesada. O próximo passo na região será a construção de um anel viário para retirar o tráfego de caminhões do centro urbano.

Obras em andamento e o modelo de concessões

As frentes de trabalho nas rodovias seguem divididas entre recursos próprios, financiamentos do BNDES e parcerias com a iniciativa privada.

Atualmente, o Estado executa com recursos próprios obras na MS-040, nos acessos à BR-262 (Corumbá), na MS-377 e no contorno viário de Bonito. Com apoio do BNDES, há projetos de integração e qualificação em outras 11 rodovias estaduais, além de frentes de restauração asfáltica em vias já existentes para garantir a manutenção do pavimento.

Rota da Celulose

Buscando acelerar os investimentos, o governo consolidou o modelo de concessões com o projeto da “Rota da Celulose”, que engloba trechos das rodovias MS-040, MS-338, MS-395 e das federais BR-262 e BR-267. O contrato prevê o aporte de R$ 10,1 bilhões ao longo da concessão (sendo R$ 6,9 bilhões em obras e R$ 3,2 bilhões em custos operacionais).

O cronograma técnico da concessão prevê:

  • 115 km de duplicações e 245 km de terceiras faixas;
  • 457 km de acostamentos (garantindo 100% de cobertura no sistema);
  • 38 km de contornos urbanos e 22 passagens de fauna;
  • Novas pontes, viadutos e passarelas.

O governador Eduardo Riedel aponta que este modelo assegura segurança jurídica e flexibilidade, permitindo expandir os investimentos conforme o volume de tráfego aumentar, garantindo contrapartida imediata aos usuários das vias.

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