IA e radares antecipam riscos de enchentes em Campo Grande

Para enfrentar os impactos das fortes chuvas de verão, o Governo de Mato Grosso do Sul, via Semadesc e Fundect, investe em sistemas de alta tecnologia capazes de prever enchentes na Capital. O projeto HidroEX – Extremos Hidrológicos em Múltiplas Escalas, desenvolvido pela UFMS, utiliza inteligência artificial (IA) e sensores de última geração para monitorar o nível dos rios e subsidiar o planejamento urbano.
Tecnologia de ponta contra inundações
O sistema de monitoramento já apresenta resultados práticos em Campo Grande, cidade que registrou mais de 300 mm de chuva em fevereiro — maior volume da última década. Com o apoio da Fundect, o grupo de pesquisa adquiriu equipamentos de ponta, como radares que medem o nível da água sem contato direto e câmeras que calculam a vazão dos rios em tempo real.
“A Fundect possibilitou o salto tecnológico necessário para integrar monitoramento, modelagem e inteligência artificial”, afirma o professor Cristiano Carvalho, diretor-presidente da fundação.
Inovações e Inteligência Artificial
Entre os principais subprodutos do HidroEX estão:
- Modelos de Deep Learning: IA que identifica a altura da água a partir de vídeos.
- Sistemas de Alerta: Aplicativos voltados para áreas com histórico de inundação.
- Planejamento Urbano: Modelos que simulam o impacto de novos loteamentos e a impermeabilização do solo antes do início de obras.
De acordo com o coordenador do projeto, professor Paulo de Tarso, a iniciativa começou pequena em 2017 e hoje é um ponto de inflexão na ciência local. “Hoje conseguimos prever áreas de inundação antes mesmo da chuva cair”, explica.
Parceria com a Prefeitura
O sucesso do projeto resultou em um convênio em fase de formalização com a Prefeitura de Campo Grande. O acordo prevê a gestão de uma rede de 54 pluviômetros espalhados pela cidade, criando um banco de dados qualificado para apoiar decisões do poder público e da Defesa Civil.
Para o Governo do Estado, o HidroEX é um exemplo de política pública aplicada. O objetivo é que a ciência saia da universidade para reduzir riscos e melhorar a segurança da população sul-mato-grossense durante o período crítico de chuvas.



