Hospital de Dourados ativa ressonância e reduz espera no SUS

O Hospital Regional de Dourados (HRD) deu início aos atendimentos do seu primeiro aparelho de ressonância magnética da rede pública. Com investimento de R$ 7,5 milhões da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul, o equipamento atende à macrorregião do Cone Sul — que engloba 34 municípios — e tem como objetivo principal reduzir filas históricas de espera no Sistema Único de Saúde (SUS).
Em funcionamento desde o dia 27 de abril, o serviço possui capacidade estimada para realizar cerca de 500 exames por mês. A descentralização do diagnóstico de alta complexidade evita o deslocamento de pacientes para a capital ou outros estados, encurtando o tempo entre a suspeita médica e o início do tratamento.
De acordo com o médico João Hoffmann, profissional da unidade, a chegada da tecnologia fortalece diretamente a ortopedia de alta complexidade e otimiza o planejamento cirúrgico da rede regional.
“A ressonância vem para somar à ortopedia de alta complexidade, com atendimentos voltados para coluna, ombro, joelho e lesões ligamentares, além de auxiliar em cirurgias do aparelho digestivo e outros métodos diagnósticos necessários dentro da rede”, explica o especialista.
Sem o exame, muitos pacientes permaneciam em um corredor de espera prolongado, convivendo com dores crônicas, perda de mobilidade e afastamento do trabalho.
Para quem dependia do exame, a ativação do aparelho representa o alívio de anos de aguardo. Moradora da zona rural, Adelina Sales enfrentava uma espera de quatro anos por uma ressonância no joelho devido a uma artrose. Para realizar o procedimento, ela acordou à meia-noite e viajou de madrugada.
“A gente mora na roça e ficava esperando, esperando, e nunca saía. Agora saiu, graças a Deus”, relatou Adelina, que também elogiou o acolhimento recebido no HRD. “Tem lugar que parece que a gente é tratada diferente porque é da roça. Aqui, os médicos atenderam muito bem.”
A realidade é semelhante à de Luciene de Medeiros, moradora de Itaporã, que convive com bursite e rompimento de tendões no ombro. Ela aguardava a ressonância para dar andamento a uma cirurgia indicada desde 2023. “Se depender de pagar, muita gente nunca consegue fazer. Então isso aqui faz diferença demais para a população”, concluiu.



