Mato Grosso do Sul, 10 de agosto de 2026

Greve do transporte eleva custos e causa perdas no comércio de Campo Grande

Empresas bancam transporte e CDL estima prejuízo de R$ 10 milhões

Os efeitos da paralisação do transporte coletivo já impactam diretamente o varejo de Campo Grande, com aumento de custos, dificuldades operacionais e até liberação de funcionários diante da impossibilidade de deslocamento até o trabalho.

Proprietário da Ótica e Relojoaria Seiko, o empresário César Nogueira relata que, embora parte da equipe não dependa diariamente de ônibus, a greve evidencia fragilidades estruturais do sistema e pressiona o orçamento das empresas. Segundo ele, a loja já complementa o valor do vale-transporte quando o custo do funcionário ultrapassa o repasse padrão.

“Se o vale-transporte é de R$ 4,95 e o funcionário gasta mais, a empresa paga a diferença. Com a greve, o valor dos aplicativos sobe muito. Tem funcionária que mora longe e a corrida chega a R$ 50. Não tem como pagar R$ 100 por dia só para ela trabalhar”, afirma.

Diante do cenário, a alternativa tem sido flexibilizar a jornada ou liberar o colaborador. “É escolher entre assumir um custo que não fecha a conta ou dispensar o funcionário naquele dia. Não é uma decisão simples, especialmente neste período”, completa.

Grandes redes também enfrentam dificuldades. Na Gazin, a gerente adjunta Maiara Araújo afirma que a paralisação exigiu resposta imediata para manter o funcionamento da loja. “Temos colaboradores que não possuem carro ou moto. Precisamos acionar aplicativos para garantir a ida e a volta deles”, explica.

Segundo ela, em apenas um dia cerca de 15 funcionários precisaram desse apoio, elevando significativamente os custos operacionais. “São bairros diferentes, dois deslocamentos por dia, e os valores aumentaram com a alta demanda. Não é um gasto pontual, é um impacto pesado”, ressalta.

Além do custo extra com transporte, o movimento nas lojas também foi afetado, principalmente no período da manhã. “Muitos clientes costumam vir cedo para pagar carnê ou resolver pendências, e isso caiu bastante durante a paralisação”, observa.

Perdas no comércio
Os relatos confirmam a avaliação da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Campo Grande, que estima prejuízo de aproximadamente R$ 10 milhões em apenas um dia de greve. Para o presidente da entidade, Adelaido Figueiredo, o impacto atinge toda a cadeia econômica.

“Não perde só o empresário. Perde o trabalhador, que depende do transporte para chegar ao emprego, perde o vendedor comissionado e perde a cidade”, afirma.

A CDL alerta que a paralisação ocorre em um dos períodos mais sensíveis do calendário comercial. A entidade projeta que 77,5% das compras de Natal sejam feitas de forma presencial, com expectativa de movimentar R$ 194 milhões na economia local.

“O comércio estava preparado para o melhor Natal dos últimos anos. A greve compromete esse cenário”, conclui o presidente.

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