Mato Grosso do Sul, 10 de agosto de 2026

Governo sanciona lei que cria programa para levar especialistas ao SUS

Nova regra permite que clínicas privadas atendam pacientes SUS em troca de benefício fiscal

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta terça-feira (7) a Medida Provisória (MP) 1301/2025, transformando-a na lei federal que cria o Programa Agora Tem Especialistas. A medida, aprovada integralmente pelo Congresso Nacional, tem como foco principal garantir o acesso da população carente a consultas, exames e cirurgias com médicos especialistas por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

O objetivo central do programa é reduzir drasticamente o tempo de espera por atendimento especializado, um dos maiores gargalos da saúde pública no país.

Parceria com a iniciativa privada para zerar filas

A principal inovação do programa reside na oferta de incentivos fiscais para prestadores de serviços de saúde privados. Estabelecimentos que aderirem ao “Agora Tem Especialistas” poderão oferecer atendimento a pacientes do SUS — seja em policlínicas, laboratórios ou hospitais — e, em troca, receberão redução em tributos federais.

A renúncia fiscal estimada é de R$ 2 bilhões ao ano a partir de 2026, embora os procedimentos possam começar a ser realizados já neste ano. O programa tem prazo de validade estipulado até 31 de dezembro de 2030.

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a nova legislação dará mais força e segurança ao programa, facilitando a adesão de hospitais privados, planos de saúde e clínicas. “Dá mais sustentabilidade para o programa Agora Tem Especialistas,” afirmou o ministro.

Desigualdade na distribuição de médicos

A criação do programa é motivada pela preocupação com a distribuição desigual de profissionais de saúde no Brasil. Dados do Ministério da Saúde mostram que a maioria dos médicos especialistas está concentrada em apenas três unidades da Federação: Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo.

Dos 353.287 médicos especialistas no país, muitos não atuam em regiões mais distantes, nem na saúde pública, concentrando-se na iniciativa privada. O novo programa busca reverter essa realidade, levando esses profissionais, inclusive por meio da telemedicina (respeitando os princípios do SUS e a confidencialidade), para as áreas mais necessitadas e vulneráveis do país.

Além de ampliar a rede de atendimento com a iniciativa privada, o governo já vinha implementando outras ações, como a inclusão de mais de 300 médicos especialistas em diversas regiões e a implementação de “terceiro turno” em hospitais federais e municipais para aumentar a capacidade de cirurgias e exames.

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