Duque de Caxias: a avenida que ganhou nova vida e se tornou vitrine de Campo Grande

Ao longo da Duque de Caxias, o asfalto agora brilha sob o sol de Campo Grande. Onde antes buracos e remendos marcavam a paisagem, hoje há faixas bem definidas, ciclovia e um fluxo que parece correr com mais leveza. A avenida, uma das principais portas de entrada da cidade, acaba de passar por uma modernização de R$ 32,4 milhões, entregue neste mês de agosto pelo Governo de Mato Grosso do Sul.
O projeto percorreu 19,6 quilômetros em ambos os sentidos, divididos em dois lotes. O primeiro, de 9,8 km, entre a rotatória do Indubrasil e o acesso ao Aeroporto Internacional, recebeu R$ 15,9 milhões em recursos estaduais. No trecho oposto, de mesma extensão, a recuperação foi viabilizada por convênio entre prefeitura, bancada federal e aporte de R$ 9 milhões do governo estadual, num total de R$ 16,5 milhões.
Mas, para além dos números, a obra mudou o cotidiano. O secretário estadual de Infraestrutura, Guilherme Alcântara, lembra que a Duque de Caxias é mais que um corredor urbano: “É a vitrine do Estado. Por aqui passam turistas rumo ao Pantanal e a Bonito. É a imagem que projetamos para quem chega”, afirma.
Cotidianos transformados
A avenida, que liga Campo Grande a Aquidauana e à BR-262, recebe diariamente 11,3 mil veículos — entre eles, 4 mil caminhões — além de 1.200 ciclistas. Para os cerca de 100 mil moradores dos bairros vizinhos, a revitalização não é apenas uma obra pública: é uma mudança de rotina.
Na Nova Campo Grande, o borracheiro Diego Humberto Xavier de Araújo notou diferença imediata.
“Antes, era só buraco. Agora, com o asfalto novo e a ciclovia, os acidentes diminuíram. O comércio melhorou, penso até em ampliar”, conta, entre o barulho das chaves de roda.
Do outro lado da cidade, no Indubrasil, Marcia Pereira da Silva pedala com os filhos na garupa. O caminho até a escola, que antes levava meia hora de tensão entre carros e buracos, agora se faz em quinze minutos. “Ninguém respeitava ciclista. Hoje é mais seguro, dá até gosto de pedalar”, diz, sorrindo, enquanto ajeita as cadeirinhas.
E não é só no trânsito que se nota a mudança. O comércio também respira novo fôlego. A farmacêutica Rafaelle dos Santos Souza comemora: “O movimento dobrou. Antes, o bairro era só poeira e buraco. Agora as pessoas andam mais a pé, circulam, entram na farmácia. É outro clima”.
Um divisor de águas
Com 2,8 km de ciclovia, recapeamento completo e nova dinâmica urbana, a Duque de Caxias é apresentada pelo governo estadual como um divisor de águas na infraestrutura da Capital. Não apenas reorganiza o tráfego: valoriza imóveis, fortalece negócios e devolve dignidade ao cotidiano de quem vive, trabalha ou cruza a via.
Na avenida renovada, as marcas do progresso não estão apenas no asfalto, mas nos rostos que transitam por ela — menos tensos, mais confiantes. Campo Grande, aos poucos, vai ganhando uma nova pele.



