Conselho do FGTS amplia limites de renda e valor do Minha Casa Minha Vida

O Conselho Curador do FGTS aprovou, nesta terça-feira (24), mudanças estruturais no programa Minha Casa Minha Vida. A decisão amplia o teto da renda máxima das famílias atendidas e eleva o valor dos imóveis que podem ser financiados. A medida visa sustentar o mercado imobiliário brasileiro diante do cenário de juros elevados, que tem dificultado o acesso ao crédito convencional.
Política de Estado e Estabilidade
Com a atualização, o Governo Federal busca garantir a manutenção do nível de atividade na construção civil. Segundo José Carlos Martins, conselheiro do Ecossistema Sienge, o programa atingiu o status de política de Estado, o que reduz riscos de ruptura em função de ciclos políticos.
“Interromper algo que tem esse alcance tem alto custo político. A tendência é de continuidade com ajustes, não de ruptura”, afirma o especialista.
Dependência do FGTS e Juros Altos
O protagonismo do Minha Casa Minha Vida cresce à medida que a Caderneta de Poupança perde fôlego como fonte de financiamento para imóveis de maior valor. Com a taxa Selic em patamares altos, o programa tornou-se o principal canal de crédito para a faixa de maior demanda habitacional no país.
A sustentabilidade do setor agora depende de dois pilares centrais:
- Atualização dos limites: Ajuste dos tetos para acompanhar a evolução dos custos de construção.
- Garantia de Funding: Manutenção dos recursos do FGTS e aportes como os do Fundo Social.
Qualidade do Crédito
Apesar da expansão dos limites, o mercado não prevê riscos de inadimplência no curto prazo. O setor avalia que o pagamento da casa própria é prioridade no orçamento das famílias brasileiras, mantendo os índices de atraso sob controle estrutural.
O movimento do Conselho Curador reforça que o programa é, simultaneamente, um motor econômico e uma ferramenta de impacto social, blindando-o contra mudanças bruscas, mas mantendo o mercado atento a ajustes técnicos em anos eleitorais.



