Brasil adota sistema TIR para agilizar a Rota Bioceânica

O Governo Federal deu um passo decisivo para aumentar a competitividade da Rota Bioceânica. Com a ratificação da Convenção TIR (Transporte Internacional de Mercadorias), assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no fim de 2025, o Brasil passa a adotar um padrão internacional que simplifica o trânsito aduaneiro entre o Centro-Oeste e o Oceano Pacífico.
O “Passaporte de Cargas”
Na prática, o sistema TIR funciona como um passaporte para mercadorias. Os caminhões são lacrados na origem e passam por procedimentos simplificados nas fronteiras da Argentina, Paraguai e Chile. Isso elimina a necessidade de inspeções físicas repetitivas, reduzindo custos logísticos e garantindo segurança jurídica aos transportadores.
Para o secretário da Semadesc, Jaime Verruck, a medida resolve um dos principais “gargalos não físicos” do corredor. “Não basta ter estradas e pontes; o fluxo de carga precisa ser rápido e previsível. O sistema TIR coloca o Brasil em igualdade com seus vizinhos e torna a rota uma alternativa real para o mercado asiático”, destaca.
Ganhos de eficiência e logística
A estimativa é que a Rota Bioceânica reduza em até 15 dias o tempo de viagem das exportações brasileiras rumo à Ásia, comparado ao trajeto pelo Canal do Panamá. Ministros como Simone Tebet (Planejamento) e Mauro Vieira (Relações Exteriores) reforçam que a desburocratização alfandegária é essencial para que o corredor seja uma rota concreta e econômica.
Infraestrutura em avanço
Enquanto a integração burocrática avança com o sistema TIR, as obras físicas seguem o cronograma:
- Ponte Binacional: Ligação entre Porto Murtinho (MS) e Carmelo Peralta (Paraguai).
- Centros Aduaneiros: Implementação de infraestrutura de fiscalização na BR-267/MS.
- Integração de Sistemas: Trabalho conjunto entre Receita Federal e Polícia Federal com órgãos dos países vizinhos.
Com a plena implementação do sistema nos quatro países do corredor (Brasil, Paraguai, Argentina e Chile), o Corredor Rodoviário Bioceânico de Capricórnio consolidará o Mato Grosso do Sul como o principal eixo logístico para o comércio entre a América do Sul e o mercado asiático.



