Varejo brasileiro começa 2026 em alta impulsionado por renda e emprego

O varejo brasileiro iniciou o ano de 2026 com desempenho positivo, sustentado pelo mercado de trabalho aquecido e pelo crescimento da renda disponível das famílias. Segundo dados divulgados pelo IBGE, o volume de vendas no conceito restrito cresceu 0,4% em janeiro na comparação com dezembro. No conceito ampliado, que inclui os setores de veículos e material de construção, a alta foi de 0,9%.
De acordo com economistas, esse cenário robusto do emprego e da massa salarial ajudou a amortecer os impactos negativos dos juros altos e do endividamento das famílias, permitindo um avanço tanto nas vendas ligadas à renda quanto nas dependentes de crédito. No varejo restrito, seis dos dez segmentos registraram crescimento mensal, com destaque para produtos farmacêuticos, perfumaria e cosméticos (+2,6%). No ampliado, materiais de construção (+3,4%) e veículos (+2,8%) também apresentaram bom desempenho.
Diante do resultado acima das expectativas, instituições financeiras projetam uma aceleração da atividade econômica no primeiro trimestre de 2026. O Bradesco e o Itaú esperam vendas mais sustentadas nos próximos meses, impulsionadas pelo aumento real do salário mínimo e pelas isenções no Imposto de Renda. A Suno Research avalia que o consumo das famílias será um dos principais motores da economia no ano. Já a XP Tracker aponta para um crescimento de 0,94% para o PIB do 1º trimestre, mantendo a projeção de alta de 2,0% para todo o ano de 2026.
Apesar do otimismo, analistas do C6 Bank e do Inter ponderam que os juros elevados continuam sendo um fator de restrição, especialmente para segmentos sensíveis ao crédito, como eletrodomésticos e móveis. Além disso, ponderam que a alta de janeiro pode refletir, em parte, uma recomposição das perdas registradas em dezembro, e não necessariamente uma mudança consolidada de tendência. Do ponto de vista da política monetária, a InvestSmart XP avalia que o dado forte do varejo pode levar o Copom a adotar um ritmo mais lento de corte na taxa Selic na próxima semana.



