Suco de laranja: Receita de exportação recua 15%, mas EUA dobram participação no destino

As exportações brasileiras de suco de laranja registraram um desempenho de receita inferior no primeiro trimestre da safra (julho a setembro de 2025) em comparação com o ano anterior, com queda de 15% no valor recebido. A retração é atribuída, principalmente, ao enfraquecimento dos preços internacionais e à cautela de compradores europeus, conforme análise divulgada nesta sexta-feira (17) pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP).
O volume total embarcado somou 199,7 mil toneladas em equivalente concentrado, uma baixa de 4% frente ao mesmo período da safra anterior, resultando em uma receita de US$ 751,3 milhões.
Mudança no Mapa Comercial
O grande destaque do período é a reconfiguração dos principais destinos do produto brasileiro. Pela primeira vez em anos, o volume de suco exportado para os Estados Unidos se igualou ao da União Europeia (UE), com cada mercado absorvendo aproximadamente 48% do volume total.
“O avanço de 13% nas vendas ao mercado norte-americano, mesmo com a manutenção da tarifa residual de 10%, evidencia a elevada dependência dos Estados Unidos do suco brasileiro”, indica o Cepea.
Em contraste, a União Europeia, tradicionalmente o principal destino, registrou retração de 8% na compra, influenciada pela redução da demanda após os altos preços e problemas de qualidade observados na safra anterior.
Desafios Tarifários e a Importância da Isenção
A isenção da sobretaxa de 40% (o “tarifaço”) para o suco de laranja — mantida sob tarifa de 10% mais US$ 415 a tonelada — foi crucial para sustentar os embarques aos Estados Unidos. No entanto, os subprodutos da laranja, como óleos e farelo, continuam penalizados por uma alíquota de 50%, o que, segundo o Cepea, ressalta a urgência de acordos bilaterais que garantam competitividade ao setor.
Os pesquisadores observam que o setor exportador entra em uma nova fase, marcada por “menos euforia e mais estratégia”. Eles alertam que a recuperação plena do consumo externo é incerta, e o futuro do agronegócio citrícola dependerá da capacidade de inovação e da conquista de mercados em um ambiente global de margens estreitas.
Apesar da incerteza, o setor capitalizou um saldo de US$ 3,48 bilhões em receita na safra 2024/25 (alta de 28,4%), o que proporciona uma base financeira sólida para enfrentar os desafios, como a estagnação do consumo e a ameaça do greening (doença bacteriana considerada a mais destrutiva da citricultura mundial).



