Mato Grosso do Sul, 9 de agosto de 2026

MS projeta 2,5 milhões de hectares de celulose plantada até 2028

Expansão de 40% na área florestal é calcada em sustentabilidade e ESG

Mato Grosso do Sul (MS) projeta um crescimento de 40% em sua base florestal plantada, visando atingir 2,5 milhões de hectares de celulose até 2028. A expansão, que elevará a área atual de cerca de 1,8 milhão de hectares, está fortemente atrelada aos pilares de sustentabilidade e ESG (Ambiental, Social e Governança).

A projeção foi detalhada pelo secretário Jaime Verruck, da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), durante o evento “Bracell 2030”, realizado em São Paulo (SP). O encontro, que debateu a bioindústria e a economia regenerativa, reuniu líderes e especialistas para discutir ações em prol de um futuro sustentável.

Verruck destacou que a forte exposição internacional do setor — com cerca de 92% da produção de celulose destinada à exportação — exige um elevado nível de gestão sustentável e conformidade legal.

“A base das operações repousa sobre a legalidade, abrangendo uma área de 1.181.000 hectares,” afirmou o secretário, citando a atuação de empresas como Bracell e Suzano, que não iniciam atividades sem as devidas análises, reservas legais e compensações ambientais. Ele também ressaltou o papel crucial da certificação florestal, cujos requisitos frequentemente superam os do licenciamento ambiental.

Desafios e Reconhecimento

Um dos principais desafios mencionados pelo setor é o não reconhecimento, por parte do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU, dos créditos de carbono gerados pelo eucalipto plantado. O IPCC justifica que a captura de carbono é temporária, devido ao corte da árvore.

O secretário sinalizou que a indústria busca o reconhecimento da colheita, rebrota e replantio florestal como técnicas válidas de captura de carbono, a serem consolidadas sob uma metodologia específica. Além disso, o setor planeja apresentar na COP30 um documento reforçando seu protagonismo na preservação ambiental.

A projeção de 2,5 milhões de hectares de florestas plantadas depende da consolidação de projetos como o da Bracell e a segunda planta da Eldorado, segundo o titular da Semadesc. “É necessário considerar também a área de preservação, que deve ser, no mínimo, de 700 mil hectares,” finalizou.

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