México bate EUA e vira 2º maior importador de carne bovina brasileira

Salto verificado nos últimos seis meses foi de 420%; EUA caem 70% no mesmo período.
O México ultrapassou os EUA e agora é o segundo maior importador de carne bovina do Brasil — graças a um salto de 420% nas compras em seis meses. Em contrapartida, as vendas aos EUA caíram 70%, em boa medida devido a tarifas implementadas.
A China segue sendo o maior cliente, com números recorde. Enquanto isso, o Brasil reforça sua estratégia de diversificar mercados diante das turbulências comerciais.
Números
De janeiro a junho de 2025, as importações do México cresceram 420%, pulando de 3,1 mil toneladas para 16,1 mil toneladas. Os gastos passaram de cerca de US$ 15,5 milhões para US$ 89,3 milhões no período. Esse movimento colocou o país à frente dos EUA em volume e valor comercializado.
As exportações para os EUA desabaram após a imposição de tarifas sobre a carne brasileira. Em abril de 2025, os americanos compraram 44,2 mil toneladas (US$ 229 milhões). Em junho, esse montante despencou para 13,4 mil toneladas (US$ 75,3 milhões), e entre 1º e 28 de julho, somou apenas 12,3 mil toneladas, por cerca de US$ 68,7 milhões — queda de 70% no comparativo com abril.
Mesmo com a reviravolta na América do Norte, a China segue liderando. Em junho, importou 132 mil toneladas da carne brasileira (US$ 739,9 milhões), mas já acumulou US$ 732 milhões em compras só até 28 de julho — segundo maior volume mensal da história do setor.
A abertura do mercado mexicano ao Brasil aconteceu, em parte, por políticas como o PACIC, um pacote antinflação que eliminou tarifas temporariamente e facilitou a entrada de carne brasileira no país. Porém, a continuidade dessa abertura depende de renovações periódicas desses decretos — ainda sem garantia automática.
A ABIEC (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) afirma que a alta tarifação dos EUA torna inviável continuar exportando para lá. A entidade também informou que já há cerca de 30 mil toneladas retidas por conta da incerteza regulatória.
Ainda assim, o desempenho total do setor em julho foi excepcional: exportações de carne bovina brasileiras chegaram a US$ 1,352 bilhão (dados até 28 do mês), recorde na última década e crescimento de 30% sobre julho de 2024.
O Brasil mantém investimentos em outros mercados como Japão, Coreia do Sul e União Europeia, buscando reduzir riscos e ampliar o alcance da proteína nacional.
Fonte: Agrofy



