Mato Grosso do Sul, 6 de julho de 2026

Mercado eleva projeção da inflação de 2026 para 5,33%, diz Focus

Estimativa do IPCA sobe pela 15ª semana e estoura teto da meta do BC

A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, subiu de 5,3% para 5,33% este ano. Os dados constam no Boletim Focus divulgado pelo Banco Central (BC) nesta segunda-feira (22). Mesmo após o anúncio de um acordo para o fim da guerra no Oriente Médio, a estimativa registrou a 15ª alta semanal consecutiva e superou o teto da meta estipulada para o ano.

A meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. Dessa forma, o limite superior permitido é de 4,5%. O teto já havia sido rompido no acumulado de 12 meses até maio, que fechou em 4,72% sob o impacto do preço dos alimentos. Para os anos seguintes, as projeções também apontam pressões: a estimativa para 2027 subiu para 4,15%, enquanto 2028 e 2029 projetam 3,7% e 3,5%, respectivamente.

Diante do cenário inflacionário, os analistas ajustaram a expectativa para a taxa básica de juros (Selic) ao final de 2026, elevando-a de 13,75% para 14% ao ano. Atualmente, a taxa está fixada em 14,25% ao ano, após o Comitê de Política Monetária (Copom) aplicar uma redução de 0,25 ponto percentual na semana passada.

O mercado aposta que o próximo corte, previsto para a reunião dos dias 4 e 5 de agosto, será o último de 2026. As projeções de longo prazo indicam uma trajetória descendente para os períodos seguintes:

  • 2027: Expectativa de redução para 12% ao ano.
  • 2028: Previsão de queda para 10,25% ao ano.
  • 2029: Estimativa de estabilização em 10% ao ano.

O Copom ressaltou que o ritmo dos ajustes futuros dependerá dos indicadores econômicos para assegurar a convergência da inflação rumo à meta, ponderando que as incertezas sobre as consequências do conflito internacional influenciam diretamente o câmbio e os preços de combustíveis e alimentos.

Em contrapartida, as instituições financeiras revisaram para cima a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, que passou de 1,96% para 1,98%. A atividade econômica nacional mostra resiliência, tendo avançado 1,1% no primeiro trimestre deste ano na comparação com o período anterior.

Abaixo, confira as expectativas de crescimento econômico e câmbio apontadas pelo relatório:

AnoCrescimento do PIBCotação do Dólar
20261,98%R$ 5,20
20271,70%R$ 5,27
20282,00%Não informado*
20292,00%Não informado*

*Nota: O boletim aponta expansão do PIB de 2% para 2028 e 2029, mas não detalhou as projeções cambiais para esses anos específicos.

O desempenho consolida um ciclo virtuoso após o país registrar alta de 2,3% no PIB de 2025, impulsionado pelo setor agropecuário, marcando o quinto ano consecutivo de expansão da economia brasileira.

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