Mato Grosso do Sul, 6 de julho de 2026

Itaipu planeja ter a menor tarifa de energia do Brasil a partir de 2027

Negociação do Anexo C deve ser anunciada até dezembro deste ano

As negociações entre Brasil e Paraguai sobre a revisão do Anexo C do Tratado de Itaipu avançam para uma redução significativa no custo da energia a partir de 2027. Segundo o diretor-geral brasileiro da binacional, Enio Verri, a meta é que a usina ofereça a tarifa mais barata do país, refletindo apenas os custos operacionais após a quitação da dívida de construção.

A expectativa é que o novo modelo tarifário seja anunciado até dezembro de 2024. Atualmente, a tarifa comercializada no Brasil é de US$ 17,66 por kW/mês, valor mantido por um aporte extra da usina para garantir a modicidade. Sem os custos da dívida, a projeção é que o valor caia para uma faixa entre US$ 10 e US$ 12 por kW/mês.

Divergências e Consenso

A revisão do Anexo C, prevista desde a assinatura do tratado em 1973, expõe as prioridades distintas dos dois sócios:

  • Brasil: Busca energia barata para estimular a indústria e promover inclusão social.
  • Paraguai: Pretende manter preços elevados para financiar o desenvolvimento nacional e infraestrutura.

Uma das propostas em análise para conciliar os interesses é permitir que o Paraguai venda seu excedente de energia diretamente no mercado livre brasileiro. “Política pública é energia barata. O Paraguai espera o preço alto para financiar seu desenvolvimento; sob a ótica deles, é legítimo”, afirmou Verri em entrevista em Foz do Iguaçu (PR).

Modernização Tecnológica

Enquanto as cúpulas diplomáticas negociam os termos financeiros, a usina executa um plano de atualização tecnológica de US$ 900 milhões. Iniciado em 2022 e com previsão de término para 2035, o projeto substitui sistemas analógicos da década de 1980 por tecnologias digitais de ponta.

Itaipu também estuda ampliar sua capacidade produtiva. Uma licitação internacional deve contratar estudos para avaliar a instalação de duas novas turbinas ou o aumento da produtividade das 20 unidades geradoras atuais, que hoje suprem 8% da demanda brasileira e 78% da paraguaia.

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