Mato Grosso do Sul, 10 de agosto de 2026

Isenção de IR até R$ 5 mil: um impulso histórico no bolso do brasileiro

Alívio no IR é visto como motor de consumo e justiça tributária por economistas

A Câmara dos Deputados aprovou, por unanimidade, o projeto de lei que isenta de Imposto de Renda (IR) quem recebe até R$ 5 mil e reduz a cobrança para salários de até R$ 7.350. A medida, que segue para o Senado, é classificada por economistas, trabalhadores e parte do setor produtivo como um avanço histórico com potencial para alavancar a economia nacional.

Se aprovada e sancionada ainda neste ano, a folga no contracheque de 15,5 milhões de brasileiros passará a valer já em janeiro de 2026.

Motor de consumo e combate à desigualdade

Para especialistas, o principal efeito da nova tabela do IR não será apenas arrecadatório, mas sim de distribuição de renda.

“A aprovação assinala o caráter distributivo do sistema tributário,” afirma o economista Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo. Ele destaca que, ao injetar mais dinheiro nas faixas de renda mais baixas e médias, o país deve experimentar um impulso para o crescimento da economia.

O pesquisador Pedro Humberto de Carvalho (Ipea) calcula que a classe média baixa terá um “respiro” mensal de R$ 350 a R$ 550, em média. Essa folga, que pode chegar a R$ 312,89 mensais para quem ganha R$ 5 mil, será gasta com alimentação e serviços, beneficiando diretamente o consumo.

O economista Gilberto Braga (Ibmec) reforça: esse dinheiro deve ser usado para consumo e pagamento de dívidas. “A regularização do endividamento faz com que essas pessoas se credenciem a novos parcelamentos e financiamentos, podendo fazer com que a economia aumente o seu funcionamento,” explica.

O presidente nacional da CUT, Sérgio Nobre, celebrou a aprovação, comparando o alívio financeiro a um 14º salário para muitas categorias, que será revertido em mais produção e emprego.

Taxação de super-ricos compensa a renúncia fiscal

Para compensar a renúncia fiscal estimada em R$ 25,4 bilhões, o projeto institui uma cobrança adicional de IR para quem tem rendimento tributável acima de R$ 600 mil ao ano.

A medida visa corrigir uma distorção histórica: enquanto trabalhadores comuns pagam alíquotas de 9% a 11% sobre seus ganhos, a taxação efetiva sobre os “super-ricos” (que inclui lucros e dividendos) é de apenas 2,5%.

Embora economistas como Pedro Rossi (Unicamp) a considerem “tímida” por manter a isenção de dividendos para a maioria dos investidores, o projeto cria uma tributação efetiva de dividendos que atinge principalmente quem tem renda acima de R$ 100 mil por mês.

Alerta sobre inflação e juros

Apesar do otimismo em relação ao consumo e à justiça social, a mudança na tributação levanta duas preocupações logísticas no setor produtivo:

  1. Inflação de Serviços: O aumento da renda da classe média deve elevar o consumo de serviços, o que, segundo o Ipea, pode gerar um impacto inflacionário nesse setor.
  2. Taxa de Juros (Selic): A Confederação Nacional da Indústria (CNI) apoia a isenção como forma de corrigir uma defasagem histórica, mas alerta: se o aumento da demanda for combinado com outros incentivos ao consumo, pode dificultar o controle da inflação, atrasando o tão esperado corte na taxa Selic (atualmente em 15% ao ano).

O desafio, agora, é equilibrar o impulso ao consumo com a necessidade de manter a estabilidade econômica, garantindo que o alívio no bolso se reverta em crescimento sustentável.

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