Mato Grosso do Sul, 10 de agosto de 2026

IR: Isenção até R$ 5 mil avança na Câmara; 26,6 mi beneficiados

PL histórico reverte carga fiscal com taxação de super-ricos

Em uma votação histórica e unânime, a Câmara dos Deputados aprovou o texto-base do Projeto de Lei (PL) 1.087/2025, que promete uma ampla reversão na carga tributária para milhões de brasileiros. O projeto prevê a isenção de Imposto de Renda (IR) para pessoas físicas com renda mensal de até R$ 5 mil e estabelece descontos significativos para quem ganha até R$ 7.350 mensais.

A medida, que atende a uma promessa de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, beneficiará mais de 26,6 milhões de contribuintes a partir de 2026, segundo estimativas do Governo Federal. Atualmente, apenas quem ganha até R$ 3.036 é isento.

O texto aprovado na quarta-feira (1º) determina que, em 2026:

  • Quem ganha até R$ 5.000 terá um desconto mensal de até R$ 312,89, resultando em imposto devido zero.
  • Para a faixa de R$ 5.000,01 até R$ 7.350,00, o desconto será de R$ 978,62.

A proposta segue agora para apreciação do Senado Federal antes da sanção presidencial.

Compensação Fiscal: Taxando os Super-Ricos

O projeto aborda o impacto fiscal da isenção, cujo custo estimado para os cofres públicos é de R$ 25,8 bilhões. Para compensar a renúncia de receita, o PL introduz a tributação progressiva de rendimentos anuais acima de R$ 600 mil, com alíquotas de até 10%.

O Ministério da Fazenda calcula que essa nova taxação incidirá sobre aproximadamente 140 mil pessoas—cerca de 0,13% dos contribuintes—que hoje, em média, pagam uma alíquota de IR de apenas 2,54%.

O relator do projeto, deputado Arthur Lira (PP-AL), estima que a taxação gerará uma sobra de R$ 12,7 bilhões até 2027, recursos que serão destinados a compensar a redução da alíquota da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) da Reforma Tributária.

Parlamentares como o deputado Carlos Zarattini (PT-SP) defenderam a medida como um passo crucial em direção à justiça tributária. “Nosso país é um país da desigualdade… A justiça tributária precisa ser feita, reduzindo as desigualdades, para que as pessoas de menor renda e a classe média brasileira possam ter uma capacidade de consumo melhor”, afirmou.

A deputada Fernanda Melchiona (PSOL-RS) completou, destacando o alívio imediato para milhões e a simultânea “cobrança de um imposto mínimo dos super-ricos.”

Críticas e o Debate Estrutural

A proposta, no entanto, foi alvo de críticas. O deputado Gilson Marques (Novo-SC) questionou o destino final dos recursos, alegando que “esse dinheiro não vai para os mais pobres, vai para os políticos.” Marques também criticou a tributação de lucros e dividendos.

Outros, como o deputado Luiz Carlos Hauly (Pode-PR), classificaram a medida como eleitoreira e sem reparo estrutural: “Isso resolveu o problema do imposto dos pobres? Não. O pobre continua pagando a mais alta carga tributária do mundo. Isso é enganação.”

Apesar das críticas, a aprovação na Câmara, que o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) chamou de “dia histórico”, sinaliza um amplo consenso político sobre a necessidade de reformar a tributação da renda no Brasil.

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