Mato Grosso do Sul, 10 de agosto de 2026

Inflação dá sinais de desaceleração, mas segue acima da meta definida para 2025

Boletim Focus reduz projeção do IPCA para este ano e mantém expectativa de juros altos no curto prazo

As projeções do mercado financeiro para a inflação em 2025 sofreram nova queda, indicando uma possível desaceleração nos preços, ainda que o índice continue acima do limite estabelecido pelo Banco Central. Segundo dados divulgados nesta segunda-feira (21) pelo Boletim Focus, a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 5,17% para 5,10% – oitava redução consecutiva.

Apesar da sequência de cortes nas previsões, a expectativa ainda ultrapassa o teto da meta de 4,5% definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A meta central de inflação é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Como o índice acumulado em 12 meses está em 5,35%, já são seis meses seguidos de descumprimento, o que obriga o presidente do Banco Central a justificar formalmente ao Ministério da Fazenda os motivos do desvio, as ações corretivas e o prazo para os efeitos esperados.

A tendência de desaceleração ficou evidente nos dados de junho, quando a inflação fechou em 0,24%. O recuo foi puxado pela primeira queda no preço dos alimentos após nove meses consecutivos de alta, mesmo com a pressão da conta de luz no período.

No campo dos juros, a resposta do Banco Central tem sido manter uma postura conservadora. A taxa Selic, hoje em 15% ao ano, foi elevada em 0,25 ponto percentual na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), contrariando parte do mercado que já esperava uma pausa nos aumentos. Na ata da reunião, o Copom indicou que deve manter os juros nesse patamar nas próximas decisões, mas não descartou novas elevações caso a inflação volte a acelerar.

A expectativa dos analistas é de que a Selic se mantenha em 15% até o fim de 2025. Para os anos seguintes, o mercado projeta uma trajetória de queda gradual: 12,5% ao ano em 2026, 10,5% em 2027 e 10% ao ano em 2028.

O impacto da política de juros altos já aparece no desempenho da economia. Apesar do crescimento de 1,4% no primeiro trimestre deste ano – puxado principalmente pela agropecuária –, a projeção para o PIB de 2026 caiu ligeiramente, de 1,89% para 1,88%. Para este ano, a estimativa de crescimento permanece em 2,23%.

Já no câmbio, o mercado prevê que o dólar encerre 2025 cotado a R$ 5,65. Para o fim de 2026, a estimativa é de R$ 5,70, refletindo as incertezas internas e externas que ainda influenciam o humor dos investidores.

*Com informações de Agência Brasil

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