Governo baixa preço do diesel para conter custo dos fretes

Diante da disparada nos preços do frete rodoviário em diversas regiões do país, o governo decidiu intervir na política de combustíveis.
A Petrobras anunciou uma redução de R$ 0,17 por litro no preço do diesel A — o que representa uma queda de 4,6%, passando o valor médio nas refinarias para R$ 3,55 por litro. A medida começa nesta terça-feira (1º).
A medida busca conter os custos logísticos, que vêm pressionando o setor produtivo em meio à alta demanda por transporte, escassez de prestadores de serviço e recente aumento no preço do diesel.
Segundo o Boletim Logístico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o frete rodoviário subiu em todas as regiões analisadas.
Com a nova redução, a parcela da Petrobras no preço do diesel B, vendido nos postos, será de R$ 3,05 por litro — queda de R$ 0,15 por litro, considerando a mistura obrigatória de 86% de diesel A e 14% de biodiesel. A última alteração havia ocorrido em 1º de fevereiro, com aumento de R$ 0,22.
Desde dezembro de 2022, quando o governo Lula assumiu, o diesel acumula recuo de R$ 0,94 por litro, o equivalente a 20,9%. Com a inflação do período considerada, a queda chega a 29%, segundo a estatal.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, defendeu a política de preços adotada desde 2023, que prioriza o chamado “abrasileiramento” dos combustíveis.
A estratégia considera o custo interno de produção e o peso da Petrobras no mercado consumidor, buscando reduzir a exposição às oscilações do mercado internacional.
“A gente olha preço a cada 15 dias. Se precisar subir, a gente sobe, se precisar descer, a gente desce”, afirmou Chambriard. “Neste momento, o abrasileiramento gerou uma economia relevante para a sociedade brasileira.”
Frete sobe em todo o país
O impacto dos custos logísticos varia por região. Em Mato Grosso, o avanço da colheita provocou aumentos nos preços do frete no fim de fevereiro. No Piauí, o início antecipado da colheita de soja levou a uma alta de até 39%.
Já no Maranhão, os embarques pela VLI impulsionaram os fretes em 26,8% na rota de Balsas até o Porto de São Luís.
Na Bahia, a tendência foi mista. Enquanto a maior demanda elevou os preços em algumas regiões, em Irecê houve queda, refletindo o aumento na oferta de caminhões.
Em São Paulo, os valores subiram levemente, mas permanecem entre os mais altos dos últimos anos devido à disputa por veículos com outras áreas produtoras. No Paraná, a valorização da soja puxou aumentos de até 20%, com destaque para Campo Mourão (20%), Cascavel (19,35%) e Ponta Grossa (11,94%).
Em Goiás, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul, o cenário também foi de alta. Em Goiás, a escassez de caminhões e a grande demanda por embarques aos portos de Santos e Paranaguá pressionaram os preços.
No DF, os reajustes variaram entre 12% e 15%, especialmente nas rotas com destino a Araguari (MG), Santos (SP) e Imbituba (SC). Já no MS, o aumento do ICMS e o escoamento da safra de verão pesaram nos custos logísticos.
Exportações e fertilizantes
Apesar da queda nas exportações de milho em fevereiro — em relação ao mesmo período de 2024 —, os embarques de soja mais que dobraram. Os principais portos utilizados foram Santos, Paranaguá e os terminais do Arco Norte.
A logística segue pressionada pela forte demanda e pelos desafios no escoamento das safras.
A importação de fertilizantes também cresceu nos primeiros meses de 2025, impulsionada pela preparação para o plantio da segunda safra de milho e para as culturas de inverno. O Arco Norte ampliou sua participação, enquanto Paranaguá e Santos mantiveram níveis estáveis.
Já as exportações de farelo de soja seguem aquecidas, estimulando o processamento da oleaginosa no Brasil. O país disputa mercado com Estados Unidos e Argentina.
Nos dois primeiros meses do ano, os volumes exportados se mantiveram estáveis em relação a 2024, com destaque para os portos de Santos, Paranaguá e Rio Grande.
O Boletim Logístico da Conab, divulgado mensalmente, traz uma análise detalhada da logística agropecuária em dez estados produtores.
A publicação aborda o escoamento das safras, as principais rotas de transporte, a movimentação de cargas e o desempenho das exportações dos principais produtos agrícolas do Brasil.



