EUA retiram tarifas de produtos agrícolas brasileiros para conter inflação

A Casa Branca emitiu nesta sexta-feira (14) um decreto do presidente Donald Trump para isentar determinados produtos agrícolas brasileiros das tarifas recíprocas, que estavam em vigor desde abril de 2025. A medida, com efeito retroativo, sinaliza uma forte reviravolta na política comercial de Trump, que vinha defendendo que suas taxas de importação não alimentavam a inflação.
A decisão modifica o escopo do tarifaço global inicialmente imposto pelo governo norte-americano, que havia confirmado uma taxa de 10% para os produtos do Brasil e alíquotas maiores para parceiros como União Europeia, China e Vietnã.
Foco na inflação e produtos isentos
O movimento é classificado como um esforço para atender às crescentes preocupações dos norte-americanos com os preços persistentemente altos dos alimentos. A acessibilidade econômica se tornou um tópico sensível após recentes vitórias democratas em eleições regionais nos EUA.
Entre os produtos brasileiros que deixarão de estar sujeitos às tarifas recíprocas estão:
- Café e chá.
- Carne bovina.
- Frutas tropicais (bananas, laranjas e tomates) e sucos.
- Cacau e especiarias.
- Fertilizantes adicionais.
Repercussão e análise no Brasil
Embora a taxa de redução exata não tenha sido divulgada, o Brasil deve ser beneficiado pela mudança. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informou que está analisando a ordem executiva.
Setores exportadores reagiram:
- O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) está avaliando se a isenção se aplica à tarifa base de 10%, à adicional de 40% (existente em certos casos) ou a ambas, mantendo contato com pares americanos.
- A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) considerou a decisão positiva, destacando que a medida “reforça a confiança no diálogo técnico entre os dois países e reconhece a importância da carne do Brasil” para a segurança alimentar mundial.



