Mato Grosso do Sul, 6 de julho de 2026

Desemprego sobe para 5,8% em abril, mas renda segue recorde

Dado reflete dispensa de trabalhadores temporários, diz IBGE

A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,8% no trimestre móvel encerrado em abril de 2026. O índice representa uma alta de 0,4 ponto percentual (p.p.) em relação ao período entre novembro de 2025 e janeiro de 2026. Por outro lado, o indicador aponta recuo de 0,8 p.p. quando comparado ao mesmo trimestre de 2025, quando a desocupação atingia 6,6%.

Os dados constam na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada nesta quinta-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com o resultado atual, o país soma 6,3 milhões de pessoas desocupadas — um acréscimo de 471 mil trabalhadores em busca de oportunidade na comparação direta com o trimestre encerrado em março.

Sazonalidade e nível de ocupação

De acordo com o IBGE, o avanço do desemprego neste período do ano é um movimento esperado pelo mercado de trabalho após as festas de fim de ano.

A população ocupada totalizou 102,3 milhões de pessoas, recuo de 0,3% (menos 338 mil trabalhadores) frente ao trimestre de novembro de 2025 a janeiro de 2026. Apesar da retração trimestral, o contingente de ocupados cresceu 1,1% (mais 1,07 milhão de pessoas) em um ano. O nível de ocupação — proporção de pessoas em idade de trabalhar que estão inseridas no mercado — fechou em 58,4%.

“O aumento da desocupação nesse trimestre móvel é resultado essencialmente do comportamento sazonal de algumas atividades, entre elas, comércio e serviços pessoais que, após o aquecimento no final de 2025, não retiveram a parcela de seus trabalhadores”, explica Adriana Beringuy, coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE.

Rendimento histórico e queda na informalidade

O relatório trouxe dados positivos para a economia no quesito remuneração e qualidade das vagas. Os principais destaques financeiros e de subutilização revelam que:

  • Rendimento real: O salário médio habitual dos trabalhadores permaneceu em R$ 3.732, mantendo-se no patamar recorde da série histórica.
  • Taxa de informalidade: Recuou para 37,2% da população ocupada (38,1 milhões de informais), índice menor do que os 37,5% registrados no trimestre terminado em janeiro e inferior aos 38% observados em igual período do ano passado.
  • Subutilização: A taxa composta de subutilização manteve-se estável em 13,8% no trimestre, registrando uma queda significativa de 1,7 p.p. no confronto anual. A população subutilizada ficou estimada em 15,7 milhões de pessoas.

A coordenação do IBGE pondera que, mesmo diante do recuo sazonal natural para o primeiro quadrimestre, o mercado de trabalho brasileiro mantém um nível elevado de ocupação em termos históricos, sinalizando que a geração de trabalho e renda segue sustentada no país.

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