Desemprego bate mínima histórica (5,6%) e confirma aquecimento do mercado

A taxa de desocupação no Brasil atingiu 5,6% no trimestre encerrado em agosto, repetindo o menor patamar já registrado na série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua. Os dados foram divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta terça-feira (30), evidenciando a força do mercado de trabalho.
Em comparação com o mesmo período do ano anterior (6,6%), a queda é significativa. O contingente de pessoas desocupadas chegou ao nível mais baixo da série, totalizando 6,1 milhões — uma redução de 605 mil pessoas na procura por trabalho em relação ao trimestre anterior.
O número de ocupados alcançou 102,4 milhões, elevando o nível de ocupação (percentual de pessoas com trabalho na população em idade de trabalhar) para 58,1%, mantendo-se no maior patamar da série. O emprego formal também cresceu, com um número recorde de 39,1 milhões de empregados com carteira assinada, um aumento de 1,2 milhão em 12 meses.
Foco na Informalidade e Renda
Apesar dos indicadores positivos, o mercado de trabalho mostra um avanço na informalidade. A taxa de trabalhadores informais na população ocupada atingiu 38%, levemente acima dos 37,8% do trimestre anterior. Este crescimento foi impulsionado, principalmente, pela alta no trabalho por conta própria sem CNPJ, que chegou a 19,1 milhões de pessoas.
Segundo William Kratochwill, analista da pesquisa, o aumento na informalidade sugere que pessoas, muitas com menor escolaridade, estão apostando no trabalho autônomo (especialmente nos setores de comércio e alimentação) e que parte dos desalentados pode estar migrando para essa modalidade.
O especialista também apontou que a queda no desemprego foi parcialmente influenciada pelas contratações temporárias em educação pública (pré-escolar e fundamental) no primeiro semestre, concentradas nas prefeituras.
Em relação à renda, o rendimento médio real habitual do trabalhador ficou em R$ 3.488, estável na comparação trimestral, mas com alta real (acima da inflação) de 3,3% em um ano. A massa de rendimento total do país também cresceu, chegando a R$ 352,6 bilhões.
Resistência à Política Monetária
Os resultados do IBGE confirmam um mercado de trabalho aquecido, contrariando o efeito contracionista esperado pela política monetária restritiva do Banco Central.
Com a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano – o maior patamar desde 2006 – o custo do crédito aumenta, desestimulando investimentos e freando a economia para combater a inflação. Contudo, o mercado de trabalho demonstra resiliência e força, como ressaltou Kratochwill: “O mercado de trabalho está, de fato, aquecido, com níveis recordes de baixa de desocupação e alta de ocupação.”
Os dados da Pnad Contínua complementam o cenário apresentado pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), que, no mês de agosto, registrou um saldo positivo de 147.358 vagas formais com carteira assinada.



