Mato Grosso do Sul, 10 de agosto de 2026

Correios buscam empréstimo bilionário para superar crise financeira

Estatal tenta reequilibrar contas com empréstimo de R$ 20 bilhões

Os Correios enfrentam uma das maiores crises financeiras de sua história e buscam um empréstimo de R$ 20 bilhões, com garantia do Tesouro Nacional, para manter as operações e reestruturar a empresa no biênio 2025-2026. O plano faz parte da primeira fase do projeto de modernização e sustentabilidade financeira apresentado nesta quarta-feira (15).

De janeiro a junho deste ano, a estatal registrou prejuízo de R$ 4,36 bilhões, mais que o triplo do déficit do mesmo período de 2024, que foi de R$ 1,3 bilhão. O novo presidente da empresa, Emmanoel Rondon, afirmou que a perda de competitividade no setor de comércio eletrônico e a falta de adaptação às novas demandas do mercado agravaram o cenário.

“Os Correios não se adaptaram de forma ágil à nova realidade, e isso resultou em perda de receitas e dificuldades operacionais”, reconheceu Rondon.

Além da concorrência crescente, a estatal enfrenta altos custos operacionais e compromissos financeiros com o Postalis, fundo de pensão dos funcionários, que representa uma das principais despesas da empresa.

Plano de reestruturação

O plano anunciado prevê corte de gastos administrativos, novo Programa de Demissões Voluntárias (PDV), venda de imóveis ociosos, renegociação de contratos com fornecedores e ampliação do portfólio de serviços. A empresa pretende diversificar receitas e recuperar a liquidez, buscando inspiração em modelos internacionais de logística e serviços financeiros.

Segundo Rondon, o objetivo é reequilibrar as contas até 2026 e gerar lucro a partir de 2027.

“Estamos negociando a operação para garantir tempo de implementar medidas estruturais. A meta é iniciar um ciclo de resultados positivos em 2027”, afirmou.

Histórico de medidas emergenciais

Em 2024, os Correios fecharam o ano com prejuízo de R$ 2,6 bilhões e adotaram medidas emergenciais, como a redução da jornada de trabalho, suspensão de férias e um PDV que resultou na saída de 3,5 mil empregados, gerando economia anual estimada em R$ 750 milhões. Agora, o foco é em ações de longo prazo que garantam sustentabilidade financeira.

Estrutura nacional

Presente em 100% dos municípios brasileiros, os Correios contam com mais de 10 mil agências, 8 mil unidades operacionais, 23 mil veículos e 80 mil empregados diretos. A estatal busca adaptar essa ampla estrutura a um mercado cada vez mais competitivo, dominado por plataformas privadas de logística e comércio eletrônico.

Rondon descartou, por enquanto, qualquer proposta de privatização, reforçando que o foco atual é a recuperação financeira.

“A empresa tem capacidade de gerar receita suficiente para cobrir suas despesas. Nosso objetivo é colocá-la novamente em pé e torná-la viável”, concluiu o presidente.

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