Copom reduz taxa Selic para 14,25% ao ano no 3º corte de 2026

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, de forma unânime, reduzir a taxa básica de juros da economia brasileira em 0,25 ponto percentual, fixando a Selic em 14,25% ao ano. O anúncio, feito nesta quarta-feira (17), marca o terceiro recuo consecutivo promovido pela autoridade monetária em 2026. A flexibilização já era amplamente aguardada pelo mercado financeiro diante da desaceleração recente da inflação e do alívio nos preços internacionais do petróleo.
Cenário externo de cautela e economia interna aquecida
A decisão do Banco Central ocorreu em sintonia com a movimentação global da chamada “Superquarta”. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed) optou por manter os juros norte-americanos no patamar entre 3,50% e 3,75% ao ano, na primeira reunião sob o comando do novo presidente da instituição, Kevin Warsh.
Em nota oficial, o Copom ponderou que, apesar da redução das tensões no Oriente Médio — que ajudou a diminuir a pressão sobre os preços dos combustíveis —, o ambiente internacional ainda exige forte cautela para países emergentes:
“A volatilidade nos preços de ativos e commodities continua sendo um fator de atenção devido às incertezas envolvendo os desdobramentos dos conflitos geopolíticos e seus impactos sobre a economia global.”
No panorama doméstico, os diretores do Banco Central destacaram que a atividade econômica brasileira segue aquecida, registrando crescimento no primeiro trimestre e mostrando um mercado de trabalho resiliente. No entanto, o comitê justificou o ritmo moderado do corte alertando que a inflação e os seus núcleos permanecem acima da meta estabelecida.
Histórico de oscilações e próximos passos
A nova taxa de 14,25% consolida um ciclo de afrouxamento monetário iniciado após um longo período de aperto. Confira a trajetória recente da Selic em 2026:
- Março: Redução de 15% para 14,75% ao ano;
- Abril: Novo corte para 14,50% ao ano;
- Junho (atual): Queda para 14,25% ao ano.
Antes dessa sequência de três baixas, o Banco Central havia aplicado sete aumentos consecutivos nos juros, jogando a Selic para o maior patamar registrado desde 2006. Para as próximas reuniões, a instituição reforçou que a intensidade e a duração do atual ciclo de cortes dependerão estritamente da evolução dos indicadores de preços e da convergência da inflação para a meta.
O impacto da Selic no seu bolso
Como taxa básica de juros, a Selic funciona como a principal ferramenta de controle inflacionário do país.
Quando o Banco Central eleva os juros, o objetivo é encarecer empréstimos e financiamentos para desestimular o consumo e conter a subida dos preços. Por outro lado, o atual movimento de redução da taxa tende a tornar o crédito mais acessível a médio prazo, impulsionando os investimentos e a atividade econômica.
Vale lembrar que a queda no custo final dos empréstimos e cartões de crédito para o consumidor final não é imediata, pois também depende de variáveis bancárias como margem de lucro, custos operacionais e risco de inadimplência.



