Copom decide juros hoje sob pressão de guerra e alta da inflação

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central define, nesta quarta-feira (29), o novo patamar da taxa básica de juros do Brasil. Esta é a terceira reunião de 2026 e ocorre em um cenário de incerteza global, com a guerra no Oriente Médio pressionando os preços do petróleo. Apesar da inflação em alta, a expectativa do mercado financeiro é de uma redução de 0,25 ponto percentual, levando a Selic para 14,5% ao ano.
A decisão será anunciada no início da noite, com o colegiado operando desfalcado. Além de duas diretorias vagas cujos mandatos expiraram em 2025 e ainda aguardam indicações da Presidência da República, o diretor de Administração, Rodrigo Teixeira, se ausentará por motivos de luto.
Desafios no Controle da Inflação
A autoridade monetária enfrenta o desafio de equilibrar o estímulo econômico com o controle de preços. O IPCA-15, prévia da inflação oficial, acelerou para 0,89% em abril, acumulando 4,37% em 12 meses. Esse avanço é puxado principalmente por alimentos e combustíveis.
O boletim Focus mais recente elevou a estimativa da inflação para o fechamento de 2026 para 4,86%. O índice está acima do teto da meta contínua de 4,5% (meta de 3% com tolerância de 1,5 ponto), o que pode influenciar a cautela do Banco Central em futuros cortes.
Sistema de Meta Contínua
Desde janeiro de 2025, o Brasil adota o regime de meta contínua, no qual o cumprimento do índice de preços é apurado mês a mês, considerando sempre o acumulado dos últimos 12 meses. Diferente do modelo anterior, a verificação não se encerra em dezembro, exigindo uma vigilância constante do Copom sobre a trajetória inflacionária.
A Selic é o principal instrumento do BC para conter a demanda. Juros altos encarecem o crédito e incentivam a poupança, segurando a alta de preços, enquanto juros baixos tendem a baratear o consumo e estimular a produção industrial e o comércio.



