Celulose brasileira domina EUA: MS lidera expansão e competitividade

O Brasil não é apenas uma potência agrícola, mas também se consolida como líder global na exportação de celulose de fibra curta (hardwood). O destino que mais cresce para essa commodity é o mercado dos Estados Unidos, onde o produto brasileiro já detém impressionantes 82% de participação no fornecimento total.
Essa dominância é resultado de uma combinação de fatores: custos reduzidos, florestas de eucalipto de rápido crescimento e investimentos maciços em plantas industriais de grande escala.
Mato Grosso do Sul no coração do crescimento
A perspectiva é que a produção brasileira continue em forte expansão até 2029, e Mato Grosso do Sul (MS) é o epicentro desse avanço. O estado sedia projetos gigantescos que devem mudar o mapa da celulose global, incluindo:
- Projeto Sucuriú (Arauco): Previsão de adicionar 3,5 milhões de toneladas anuais até 2027.
- Expansões da Bracell (MS): Potencial para mais de 5 milhões de toneladas até 2029.
Graças a tecnologias avançadas de pesquisa genética, o ciclo de corte do eucalipto no Brasil é de apenas cerca de sete anos, um fator crucial para os baixos custos de produção que tornam a celulose nacional imbatível.
Preço e logística garantem vantagem competitiva
A celulose de eucalipto brasileira tem sido favorecida pela diferença de preços. A celulose de fibra curta nacional é significativamente mais barata que a de fibra longa (softwood), com uma diferença de até US$ 300 por tonelada na Costa Leste dos EUA. Essa diferença garante que o produto brasileiro seja altamente competitivo, mesmo após o custo do frete marítimo.
Além do preço, o Brasil se destaca na logística:
- Câmbio e Tarifas: A celulose brasileira tem tarifas de 10% nos EUA, abaixo dos 15% aplicados à celulose europeia, o que, somado a um câmbio favorável, garante vantagem no custo final.
- Rotas Marítimas: O transporte até a Costa Leste americana evita gargalos críticos, como os canais do Panamá e de Suez, garantindo prazos de entrega mais confiáveis para os importadores.
Os EUA como destino estratégico
Com a China se tornando mais autossuficiente em celulose, os Estados Unidos se consolidam como o principal destino estratégico para a produção brasileira.
Análises de mercado apontam que o Brasil está bem-posicionado para se consolidar como líder no fornecimento, sustentado por essa tríade: baixos custos, aumento agressivo da capacidade produtiva (impulsionada por MS) e uma logística marítima favorável. A tendência é que empresas brasileiras busquem até adquirir ativos nos EUA para substituir celulose local mais cara pela matéria-prima importada do Brasil.



