Mato Grosso do Sul, 16 de julho de 2026

Brasil reage a tarifas dos EUA e promete retaliação imediata

Medida americana entra em vigor dia 22; Brasil acionará a OMC

O governo brasileiro divulgou uma nota oficial nesta quarta-feira (15) repudiando veementemente a decisão dos Estados Unidos de impor tarifas de 25% sobre produtos importados do Brasil. Como resposta direta à medida, que passa a valer em 22 de julho, o Palácio do Planalto anunciou que acionará imediatamente a Lei de Reciprocidade nacional e recorrerá ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Assinado pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, o comunicado classifica o anúncio da Casa Branca como “um marco lastimável” na história diplomática entre as duas nações. O governo brasileiro afirmou não reconhecer a legitimidade das investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), apontando que a iniciativa unilateral carece de amparo nas regras multilaterais de comércio.

Alegações americanas vs. Defesa brasileira

As barreiras tarifárias foram justificadas por um inquérito do USTR iniciado há um ano, que apontou supostas práticas desleais do Brasil em setores como:

  • Comércio digital e serviços de pagamento eletrônico (incluindo o Pix);
  • Tarifas no mercado de etanol e proteção de propriedade intelectual;
  • Interferência anticorrupção e desmatamento ilegal.

Em contrapartida, o governo brasileiro rechaçou duramente os argumentos. A nota classifica as acusações sobre o desmatamento como “absurdas”, destacando que o país combate de forma incisiva os ilícitos ambientais desde 2023.

Sobre o setor de tecnologia, o comunicado defende a regulação de plataformas contra a “ganância de tecno-oligarcas” e exalta o Pix como um patrimônio nacional e referência global de infraestrutura pública digital.

Assimetria comercial e rejeição do setor privado

Para expor a contradição da medida, a nota oficial trouxe dados sobre as relações comerciais bilaterais:

  • Superávit dos EUA: Nos últimos 15 anos, os americanos acumularam um superávit de US$ 424,5 bilhões em bens e serviços com o Brasil.
  • Tarifas mínimas: Em 2025, 76% das importações vindas dos EUA entraram no Brasil livres de impostos, com uma alíquota média aplicada de apenas 3,1%.
  • Oposição do mercado: Durante as audiências públicas do USTR na semana passada, das 78 manifestações de representantes do setor privado de ambos os países, 63 foram contrárias à sobretaxa.

Próximos passos e Plano Brasil Soberano

“Manteremos medidas de proteção aos setores afetados por tarifas ilegais e arbitrariamente impostas pelo governo dos EUA, preservando empregos e a capacidade produtiva nacional.” — Trecho da nota oficial da Presidência da República

Como estratégia para conter os danos econômicos a exportadores e trabalhadores brasileiros, o Planalto confirmou a ativação do Plano Brasil Soberano. Além de blindar a indústria nacional contra o impacto tarifário, o Brasil acelerará a busca por novos parceiros globais para diversificar seus mercados de exportação.

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