Pecuária no Pantanal alia respeito ao bioma e garantia de origem

A pecuária desenvolvida no Pantanal tem se consolidado como um modelo que une sistemas de produção adaptados às características da região à garantia de origem da carne. Impulsionado pela crescente demanda dos consumidores por alimentos com procedência certificada, o mercado de carne sustentável atrai produtores interessados em adequar suas propriedades aos protocolos da Associação Pantaneira de Pecuária Orgânica e Sustentável (ABPO).
Segundo o diretor-executivo da ABPO, Guilherme de Oliveira, o principal diferencial do modelo pantaneiro é o manejo estruturado para respeitar os ciclos naturais de cheias e secas, em vez de tentar modificar o ambiente. Como o bioma é protegido por lei e a substituição da vegetação nativa é proibida, a atividade pecuária desenvolve-se de maneira integrada ao ecossistema, o que viabiliza a produção orgânica e sustentável.
O tripé da sustentabilidade e certificação
Para que uma propriedade seja homologada pelos protocolos da ABPO, técnicos realizam visitas de campo para avaliar critérios rigorosos. A certificação baseia-se em três pilares essenciais:
- Ambiental: Preservação dos recursos naturais e respeito à legislação de proteção do Pantanal;
- Social: Verificação minuciosa das condições de trabalho e bem-estar dos colaboradores da fazenda;
- Econômico: Viabilidade financeira e eficiência na gestão do negócio rural.
Rastreabilidade e terminação em parceiros
A garantia de origem é mantida por meio da identificação e do monitoramento individual dos animais ao longo de toda a vida.
Como as cheias sazonais do Pantanal podem limitar a fase de engorda na planície, a ABPO incluiu confinamentos (boitéis) parceiros localizados no entorno do bioma em seus protocolos. Dessa forma, o criador especializado na fase de cria pode encaminhar os animais rastreados para a terminação nessas unidades parceiras. A medida agrega valor à produção e facilita o acesso aos incentivos fiscais concedidos pelo governo estadual.
Melhoramento genético e presença no mercado
Embora o gado Nelore continue predominando no bioma devido à sua capacidade de adaptação, cresce o uso de cruzamentos industriais na região. O melhoramento genético, aliado a ferramentas de nutrição animal e manejo de pastagens nativas, tem encurtado o ciclo de produção dos animais. Com o tempo de permanência reduzido, o pecuarista aumenta a produtividade sem elevar a pressão sobre os recursos naturais.
Para aproximar esse produto do consumidor final, a ABPO lançou um selo próprio que identifica nas gôndolas as carnes produzidas sob diretrizes sustentáveis ou orgânicas. A expectativa da associação é ampliar a presença do produto no varejo, seguindo uma tendência de consumo consciente já consolidada em outros setores, como o de cafés certificados.



