Mato Grosso do Sul, 10 de agosto de 2026

Bonito respira cultura e prosperidade: o inverno que virou verão econômico

Cultura mostra sua força, movimenta a cidade e impulsiona empregos e renda em Bonito

Por cinco dias, Bonito deixa de ser apenas o santuário natural conhecido por rios cristalinos e cavernas submersas. No coração do inverno sul-mato-grossense, a cidade pulsa como se fosse verão: ruas cheias, mesas disputadas, vitrines iluminadas até tarde da noite. O Festival de Inverno de Bonito (FIB) tornou-se mais do que um encontro de música, dança e artes – é hoje uma engrenagem essencial que move a economia, aquece corações e projeta a cidade para muito além de suas águas transparentes.

De acordo com a Secretaria Municipal de Turismo, a edição de 2025 recebeu cerca de 20 mil visitantes. Eles permanecem, em média, três dias, deixando na cidade não apenas seus olhares encantados, mas também um impacto financeiro de R$ 23,22 milhões. Esse valor se espalha como correnteza por hotéis, restaurantes, transportes, lojas e passeios turísticos, consolidando agosto como um mês de alta temporada.

A mesa que conta histórias
Nos restaurantes, a transformação é palpável. O chef Sylvio Trujillo, do Bacuri, compara os dias do Festival a nata do calendário gastronômico: “É como Natal ou Réveillon. O movimento cresce até 80% em relação ao normal. O Festival mudou a lógica da cidade.” Antes, agosto era mês de descanso para funcionários; hoje, é tempo de contratar reforços, estocar mais insumos e viver a intensidade que só um grande evento proporciona.

Trujillo vai além da matemática: lembra que a semana gera empregos, muitas vezes permanentes, que se convertem em renda estável para famílias locais. Para ele, a gastronomia tornou-se vitrine e cartão-postal do Festival.

Vitrines que respiram Pantanal
No comércio, a mesma vibração. Dila Gomes, vendedora há seis anos na loja Cobra Verde, exibe camisetas com motivos pantaneiros que desaparecem rapidamente das araras. “O turista sempre leva uma lembrança, às vezes para si, às vezes para quem ficou em casa. A gente reabastece o estoque porque sabe que o movimento triplica”, conta, entre risos e sacolas.

As agências de turismo também percebem o novo ritmo. Em vez de pacotes longos, os visitantes preferem passeios curtos aos balneários, guardando energia para a programação cultural noturna. “O Festival garante fluxo em um mês que seria de baixa. Sem ele, a gente faria oito passeios por semana. Com ele, chegamos a quinze por dia”, observa Chiurazzi, guia veterano da cidade.

Hotéis que se tornam refúgios cheios de vida
Na hotelaria, o reflexo é imediato. Mais de cem estabelecimentos registram ocupação total. Para Silvia Schmidt, do Hotel Paraíso das Águas, a transferência do Festival de julho para agosto foi decisiva: “No começo houve desconfiança, mas logo vimos que foi um acerto. Agosto deixou de ser morno e passou a ser alta temporada. Isso nos dá regularidade e segurança. O Festival garante alegria cultural e também previsibilidade econômica. Brinco que deveríamos ter um por mês.”

Cultura e economia, lado a lado
O Festival de Inverno de Bonito reafirma a cada edição sua dupla vocação: palco para a diversidade cultural e motor para a engrenagem econômica. Realizado pelo Governo de Mato Grosso do Sul, com apoio da Prefeitura de Bonito, o evento projeta a cidade como destino completo, em que natureza, arte e hospitalidade convivem em harmonia.

Até domingo, os palcos Sol, Águas, Futuro e Lua receberão música, dança, teatro, literatura, moda, artes visuais e gastronomia. O FIB também promove acessibilidade e sustentabilidade – com tradução em Libras, gestão de resíduos, plantio de mudas e atividades de educação ambiental.

Assim, Bonito não apenas acolhe visitantes: transforma-se junto com eles. Em cada nota, cada prato servido, cada lembrança comprada, a cidade reafirma sua vocação de unir beleza natural e riqueza cultural, numa temporada em que o inverno se veste de festa e prosperidade.

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