Mato Grosso do Sul, 6 de julho de 2026

Avanço de paz no Oriente Médio pode desvalorizar preço de fertilizantes

Normalização no Estreito de Ormuz deve elevar a oferta global

O avanço nas tratativas de paz no Oriente Médio começou a impactar diretamente o comércio global de insumos agrícolas, sinalizando uma tendência de desvalorização nos preços para os próximos meses. O principal motor dessa retração é a perspectiva de normalização do tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz — um dos corredores logísticos mais estratégicos do planeta —, o que deve destravar o escoamento de adubos produzidos na região e inflar a oferta mundial.

No entanto, o alívio geopolítico não atingirá o mercado de fertilizantes de forma uniforme. A velocidade e a intensidade da queda vão variar de maneira drástica entre os diferentes componentes do complexo NPK (Nitrogênio, Fósforo e Potássio).

O mercado de nitrogenados é o que apresenta a resposta mais direta e imediata à desobstrução das rotas no Oriente Médio, devido à alta concentração de polos exportadores na região. A liberação das vias marítimas resulta em um aumento rápido da disponibilidade do produto no cenário internacional.

Essa dinâmica de alta na oferta já se reflete nos indicadores:

  • Oito semanas de queda: A ureia, principal referência entre os nitrogenados, já acumula dois meses consecutivos de desvalorização.
  • Tendência: A pressão baixista deve continuar operando enquanto o fluxo logístico seguir sem interrupções.

Por outro lado, o segmento de fosfatados enfrenta uma realidade estrutural complexa que anula parte dos benefícios da melhora logística. Mesmo com portos e canais abertos, a indústria global lida com uma severa escassez de enxofre, matéria-prima indispensável para a fabricação desses adubos.

Nos últimos meses, a falta de enxofre encareceu os custos de produção. Para evitar margens negativas, os fabricantes globais reduziram o ritmo de processamento nas usinas, restringindo a oferta do produto final e sustentando os preços elevados.

Como consequência, o MAP (fosfato monoamônico), um dos fertilizantes mais demandados pelo agronegócio brasileiro, tem apresentado forte estabilidade nas últimas semanas, resistindo ao movimento de queda registrado pelos nitrogenados.

“Mesmo com a melhora logística no Oriente Médio, o mercado de fosfatados ainda enfrenta uma restrição importante do lado da oferta, que é a disponibilidade de enxofre. Esse fator tende a limitar quedas mais acentuadas de preços no curto prazo”, explica o analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Tomás Pernías.

A expectativa é que a normalização no fornecimento de enxofre seja um processo lento no comércio internacional. De acordo com a análise, a diferença na trajetória de preços entre a ureia e o MAP ilustra o atual momento do campo: mesmo com uma demanda mais fraca em ambos os segmentos, fatores de oferta distintos continuam determinantes para a formação dos preços de curto prazo.

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