Rússia suspende exportação de fertilizantes e agrava crise global

A Rússia anunciou a suspensão temporária das exportações de nitrato de amônio, em medida válida entre 21 de março e 21 de abril. A decisão, divulgada pela Bloomberg, retira do mercado global um volume estratégico de fertilizantes nitrogenados em um momento de alta demanda e amplia as incertezas sobre a segurança alimentar e os custos de produção agrícola nos próximos meses.
Gargalos Geopolíticos
A restrição russa se soma a um cenário já fragilizado por conflitos no Oriente Médio, que afetam rotas vitais como o Estreito de Ormuz. Segundo o Instituto de Fertilizantes, o Oriente Médio é responsável por 20% do comércio global de fosfatados e por grande parte da oferta de enxofre — insumo essencial para a fabricação de ácido sulfúrico usado em adubos para soja e milho.
Especialistas da plataforma ICIS alertam que, caso as tensões se prolonguem, o esgotamento dos estoques de enxofre pode gerar efeitos exponenciais e negativos em toda a cadeia produtiva de alimentos.
Pressão de Grandes Players
O mercado global já operava sob forte pressão antes deste novo anúncio. Além das sanções decorrentes da guerra na Ucrânia, a China mantém limitações severas em suas vendas externas para priorizar o abastecimento doméstico.
Para Josh Linville, vice-presidente da StoneX Group, o segmento de fosfatos já estava em uma situação delicada. “O fornecimento de enxofre continua sendo um dos principais gargalos, com custos elevados afetando diretamente a produção”, reforça Veronica Nigh, economista-chefe do Instituto de Fertilizantes.
Impactos no Curto Prazo
Excetuando-se acordos intergovernamentais específicos, a medida russa intensifica a disputa por oferta no mercado internacional. Com os principais exportadores mundiais (Rússia, China e países do Oriente Médio) operando com restrições ou voltados para seus mercados internos, a previsibilidade de preços para a safra 2026 torna-se ainda menor, elevando o risco de inflação nos alimentos.



