Mato Grosso do Sul, 6 de julho de 2026

Produção de leite bate recorde, mas preço ao produtor cai 22% em 2025

Sobreoferta e importações elevadas pressionam as margens do setor

JUIZ DE FORA (MG) – O setor lácteo brasileiro encerrou 2025 com um cenário de contrastes: uma produção histórica, com alta de 7,2%, contra uma desvalorização acentuada no campo. A combinação de maior produtividade interna e um volume ainda elevado de importações gerou uma sobreoferta que derrubou o preço médio pago ao produtor para R$ 1,99 por litro em dezembro — uma retração de 22,6% em 12 meses.

Balanço de 2025: Oferta e Demanda

Apesar de uma leve queda de 4,2% nas importações em relação a 2024, o Brasil ainda registrou um déficit comercial de 2 bilhões de litros equivalentes, com o leite em pó liderando as entradas.

  • Impacto no Consumo: A queda nos preços chegou ao consumidor final, mas de forma tímida: a cesta de produtos lácteos recuou apenas 3,62%.
  • Custos de Produção: O ICPLeite/Embrapa subiu 3%, ficando abaixo da inflação oficial (4,3%). A estabilidade nos preços do milho e da soja garantiu margens apertadas, porém positivas, para produtores eficientes.

Perspectivas para 2026 e Incertezas

O mercado global inicia o ano com oferta alta, especialmente na Argentina e no Uruguai. Entretanto, o pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Samuel Oliveira, prevê um crescimento produtivo mundial mais modesto devido a incertezas geopolíticas e margens estreitas.

  • Macroeconomia: A projeção para o PIB brasileiro em 2026 caiu para 1,8%. O ano eleitoral deve trazer volatilidade cambial, o que pode tornar o leite importado mais competitivo caso o real se valorize.
  • Recuperação à vista: O mercado spot (pagamento à vista) já sinaliza reação, impulsionado pela aproximação da entressafra e pela valorização da arroba do boi, que gera renda extra com o descarte de animais.

Tecnologia como Diferencial

A produção brasileira passa por uma mudança estrutural, com maior concentração e tecnificação em grandes fazendas. “Essas unidades estruturadas respondem melhor à rentabilidade”, destaca Glauco Carvalho, também pesquisador da Embrapa.

A recomendação para 2026 é clara: cautela e foco em produtividade. Segundo os especialistas, quem não investir em redução de custos ou agregação de valor perderá espaço em um mercado de transformações rápidas.

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