Brasil inicia exportação de DDG para a China e impacta mercado em MS

CAMPO GRANDE (MS) – O agronegócio brasileiro atingiu um marco histórico com o primeiro embarque de DDG (grãos secos de destilaria) para a China. A abertura deste mercado inaugura uma nova fase para a indústria de etanol de milho e promete alterar a dinâmica de preços e oferta de insumos para ração animal, com impacto direto em Mato Grosso do Sul, um dos maiores processadores do país.
O Valor Estratégico do DDG
O DDG é um coproduto do processamento de milho para etanol, rico em proteínas e fibras. Em Mato Grosso do Sul, a produção anual é estimada em 1,4 milhão de toneladas, volume derivado do processamento de 4,6 milhões de toneladas de milho. Até então, esse montante era absorvido majoritariamente pela pecuária local (bovinos, suínos e aves).
Impacto nos Preços e na Oferta Interna
Com a entrada da China na disputa pelo produto, a tendência é que o preço doméstico se alinhe à paridade de exportação. Segundo Mateus Fernandes, analista da Aprosoja/MS, isso gera dois cenários:
- Exportação vantajosa: Redução da oferta interna, sustentação das cotações e possível aumento no custo da ração para a cadeia de carnes.
- Demanda interna aquecida: Manutenção do produto no mercado local caso os frigoríficos paguem preços competitivos, aproveitando o menor custo logístico.
Benefícios para a Indústria e o Produtor
Para as usinas de etanol, a exportação reduz o risco de excedentes e amplia a previsibilidade de receita, o que deve estimular novos investimentos. Para o produtor rural, o cenário é positivo, pois garante a sustentação da demanda pelo milho grão.
O desafio para Mato Grosso do Sul será equilibrar essa nova oportunidade global com a manutenção da competitividade da sua própria cadeia de proteína animal.



