BNDES destina R$ 24,9 milhões para impulsionar silvicultura de espécies nativas

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lança nesta sexta-feira (10) o BNDES Floresta Inovação, uma iniciativa estratégica para posicionar o Brasil como líder mundial na produção sustentável de madeira tropical. A primeira operação do programa é um aporte de R$ 24,9 milhões em recursos não reembolsáveis, via BNDES Funtec, para o desenvolvimento de inovações na silvicultura de espécies nativas plantadas.
O projeto, coordenado pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), visa gerar conhecimento e tecnologias para escalar a silvicultura de espécies nativas, replicando o sucesso obtido com o eucalipto. A expectativa é garantir uma produção estável e sustentável a longo prazo, promover o reflorestamento de áreas degradadas e gerar benefícios socioeconômicos.
Foco em tecnologia e bioeconomia
O investimento faz parte da nova plataforma BNDES Florestas, que centralizará as iniciativas do Banco no setor. O projeto de silvicultura aprovado tem como objetivo desenvolver e disseminar inovações tecnológicas que contribuam para a expansão do mercado de madeira tropical plantada, combatendo a exploração ilegal de florestas nativas.
A diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, destacou que a iniciativa promoverá a conservação da biodiversidade, o sequestro de carbono e a geração de emprego e renda. “O objetivo é criar um setor pujante, assim como fizemos com aviação, energias renováveis e com o próprio setor de silvicultura, com base em pinus e eucalipto, onde fomos decisivos para o Brasil despontar como um dos líderes mundiais”, afirmou.
O projeto terá duração de cinco anos e se concentrará em cinco eixos temáticos: sementes e mudas, melhoramento genético, propagação vegetativa, manejo florestal e tecnologia da madeira. Serão pesquisadas 30 espécies nativas prioritárias nos biomas Amazônia e Mata Atlântica, com plantios em 20 sítios de universidades, centros de pesquisa e empresas parceiras.
Potencial de mercado e restauração
O BNDES enxerga a silvicultura de árvores nativas como um pilar da bioeconomia e da restauração ecológica produtiva. O Brasil possui cerca de 50 milhões de hectares de pastagens degradadas com aptidão para reflorestamento produtivo, área que poderia atender a uma demanda global crescente por madeira.
Apesar dessa vantagem, o país ainda representa menos de 10% da produção mundial de madeira tropical. O projeto está alinhado à estratégia ambiental do BNDES de recuperar 6 milhões de hectares até 2030 no Arco da Restauração da Amazônia, transformando áreas hoje degradadas em polos de produção sustentável.



