Mato Grosso do Sul, 6 de julho de 2026

Agronegócio na vanguarda: Novo selo ‘Beef on Track’ garante carne sustentável e competitiva

Beef on Track (BoT) visa escala global com foco na demanda da China

O agronegócio brasileiro ganha um reforço de peso na agenda de sustentabilidade global. Nesta terça-feira (21/10), será lançado o selo Beef on Track (BoT), um novo sistema de certificação de carne livre de desmatamento. A iniciativa, desenvolvida pelo Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), promete atender à crescente exigência internacional por produtos sustentáveis sem elevar o preço ao consumidor, garantindo a competitividade em escala.

O lançamento ocorre em um momento estratégico, às vésperas da COP30 em Belém, onde a pecuária nacional será tema central. O selo nasce impulsionado, principalmente, pela China, que absorveu mais de 50% da carne bovina brasileira exportada em 2025.

Rastreabilidade na cadeia, não na Fazenda

O diferencial do BoT é sua abordagem focada na cadeia de compra, abrangendo frigoríficos e curtumes, e não na auditoria individual das fazendas. Cada planta de abate será auditada anualmente.

A certificação se baseia em protocolos de monitoramento já consolidados e eficientes, como o Boi na Linha (utilizado pelo Ministério Público Federal na Amazônia Legal) e o Protocolo do Cerrado. Um frigorífico que atinja 95% de conformidade com estes protocolos será automaticamente elegível ao Beef on Track.

Marina Piatto, diretora-executiva do Imaflora, explica que a simplicidade do sistema e o uso de auditorias existentes garantem a estabilidade dos preços, tanto no mercado interno quanto no externo, eliminando custos adicionais.

“Eles [o mercado chinês] falavam: ‘A gente quer sustentabilidade, a gente tem metas de redução de emissões, não queremos estar vinculados a desmatamento, à ilegalidade’. E aí começamos a desenvolver essa ideia, de como mostrar de forma fácil, simples e barata para eles o que já existe”, detalhou Piatto.

Mercado e perspectivas

O nome em inglês do selo (“Carne no Caminho Certo”) já aponta para a ambição de mercado. Além da China, negociações estão em curso com redes de varejo brasileiras, importadores da Europa e do Oriente Médio.

A meta do Imaflora é ambiciosa: abranger “toda a carne brasileira”. Na Amazônia, por exemplo, 70% dos frigoríficos já passam por auditorias do protocolo Boi na Linha. No Cerrado, 24 unidades adotam o monitoramento.

A expectativa é que o selo chegue às gôndolas do Brasil já no primeiro trimestre do próximo ano por meio de um projeto-piloto em uma rede de varejo.

Para a China, a demanda já é concreta: a Tianjin Meat Association, que reúne importadores, confirmou a compra de pelo menos 50 mil toneladas de carne com o selo BoT até junho de 2026. A presidente da entidade, Xing Yanling, prevê um aumento de 35% a 40% na demanda por carne bovina brasileira nos próximos anos, impulsionado pela mudança no consumo da juventude chinesa.

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