Mato Grosso do Sul, 6 de julho de 2026

Abate de fêmeas cai 13,6% em maio e sinaliza alta no preço do boi

Queda pelo quinto mês consecutivo indica virada no ciclo pecuário

O abate de vacas e novilhas no Brasil registrou queda de 13,68% em maio de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano passado, totalizando 956,28 mil cabeças. Este é o quinto mês consecutivo de recuo anual na categoria, um indicador econômico de que a liquidação de matrizes perdeu força no país. O movimento consolida a virada do ciclo pecuário rumo a uma fase de retenção de fêmeas, o que tende a reduzir a oferta futura e pressionar os preços da arroba para cima.

Os dados, divulgados pela consultoria Agrifatto, mostram que o volume de fêmeas levadas ao gancho em maio também recuou 5,14% em relação a abril deste ano. Apesar da desaceleração recente, o patamar atual ainda se mantém 12,45% acima da média histórica dos últimos cinco anos para o mês de maio, que é de 850,41 mil cabeças.

Produtores retêm matrizes

A participação de vacas e novilhas no total de bovinos abatidos em frigoríficos com Serviço de Inspeção Federal (SIF) encolheu para 39,93%. O índice representa uma queda de 2,88 pontos percentuais frente a abril e um recuo de 3,21 pontos percentuais em relação a maio de 2025.

Essa perda de espaço das fêmeas na linha de abate confirma que os pecuaristas começaram a segurar as vacas no pasto para reprodução, de olho na valorização dos bezerros a médio prazo.

Desempenho do Abate Bovino em Maio (2026)

CategoriaVolume em MaioComparação com Abril/26Comparação com Maio/25
Fêmeas (Vacas/Novilhas)956,28 mil cabeças-5,14%-13,68%
Machos (Bois/Garrotes)1,43 milhão cabeças+6,82%Alta impulsionada pelo pasto
Total de Bovinos2,39 milhões cabeças+1,70%Média diária de 104,11 mil

Safra de pasto eleva a oferta de machos

Na contramão das fêmeas, o abate total de bovinos no Brasil cresceu 1,70% em maio na comparação com abril, somando 2,39 milhões de cabeças. O avanço foi impulsionado exclusivamente pelos machos, cujo abate saltou 6,82%, atingindo 1,43 milhão de animais.

O fator clima: Esse aumento expressivo de machos nos frigoríficos reflete o fim do período das águas. Os pecuaristas intensificaram a venda de lotes terminados a pasto para esvaziar os campos antes do início do inverno e da seca, evitando os custos mais altos de trato em confinamento e a perda de peso dos animais na entressafra.

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