Abate de fêmeas cai 13,6% em maio e sinaliza alta no preço do boi

O abate de vacas e novilhas no Brasil registrou queda de 13,68% em maio de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano passado, totalizando 956,28 mil cabeças. Este é o quinto mês consecutivo de recuo anual na categoria, um indicador econômico de que a liquidação de matrizes perdeu força no país. O movimento consolida a virada do ciclo pecuário rumo a uma fase de retenção de fêmeas, o que tende a reduzir a oferta futura e pressionar os preços da arroba para cima.
Os dados, divulgados pela consultoria Agrifatto, mostram que o volume de fêmeas levadas ao gancho em maio também recuou 5,14% em relação a abril deste ano. Apesar da desaceleração recente, o patamar atual ainda se mantém 12,45% acima da média histórica dos últimos cinco anos para o mês de maio, que é de 850,41 mil cabeças.
Produtores retêm matrizes
A participação de vacas e novilhas no total de bovinos abatidos em frigoríficos com Serviço de Inspeção Federal (SIF) encolheu para 39,93%. O índice representa uma queda de 2,88 pontos percentuais frente a abril e um recuo de 3,21 pontos percentuais em relação a maio de 2025.
Essa perda de espaço das fêmeas na linha de abate confirma que os pecuaristas começaram a segurar as vacas no pasto para reprodução, de olho na valorização dos bezerros a médio prazo.
Desempenho do Abate Bovino em Maio (2026)
| Categoria | Volume em Maio | Comparação com Abril/26 | Comparação com Maio/25 |
| Fêmeas (Vacas/Novilhas) | 956,28 mil cabeças | -5,14% | -13,68% |
| Machos (Bois/Garrotes) | 1,43 milhão cabeças | +6,82% | Alta impulsionada pelo pasto |
| Total de Bovinos | 2,39 milhões cabeças | +1,70% | Média diária de 104,11 mil |
Safra de pasto eleva a oferta de machos
Na contramão das fêmeas, o abate total de bovinos no Brasil cresceu 1,70% em maio na comparação com abril, somando 2,39 milhões de cabeças. O avanço foi impulsionado exclusivamente pelos machos, cujo abate saltou 6,82%, atingindo 1,43 milhão de animais.
O fator clima: Esse aumento expressivo de machos nos frigoríficos reflete o fim do período das águas. Os pecuaristas intensificaram a venda de lotes terminados a pasto para esvaziar os campos antes do início do inverno e da seca, evitando os custos mais altos de trato em confinamento e a perda de peso dos animais na entressafra.



