Mato Grosso do Sul, 18 de outubro de 2026

Projeto internacional começa em Corumbá para fortalecer comunidades do Pantanal

Equipe visitou o apiário da comunidade Paraguai-Mirim, em Corumbá (MS)

Representantes de organizações da Dinamarca e da Bolívia estiveram em Corumbá (MS), nos dias 16 e 17 de setembro, para dar início ao projeto “Strengthening Local Rights and Resilience in Climate-Vulnerable Wetlands in Brazil”. Toke Nyborg e Nazaret Fernandez, da dinamarquesa Aktion Amazonas, e Jenny Flores, da Fundación para la Conservación del Bosque Chiquitano (FCBC), reuniram-se com a equipe da Ecoa e visitaram a comunidade Paraguai-Mirim, onde conheceram o apiário local.

A iniciativa atuará em comunidades onde a pesca artesanal é a principal fonte de renda, mas onde a atividade para durante os quatro meses do defeso. Nesse período, o seguro pago às famílias às vezes atrasa, o que agrava a situação de quem depende do rio para sobreviver.

“Há situações de vulnerabilidade extrema. Às vezes, temos que conseguir alimento para que as famílias possam atravessar esse período”, relata Nathalia Ziolkowski, diretora-presidenta da Ecoa.

É justamente para reduzir essa fragilidade que o projeto terá três frentes de trabalho. A primeira é o apoio às cadeias da sociobiodiversidade. Nos meses de defeso, a renda vem de atividades como a apicultura, a coleta de frutos nativos e o artesanato, que se somam à pesca e ao turismo.

Essas produções, porém, enfrentam ameaças como o fogo e, em alguns locais, a mineração. Em Porto da Manga, o grupo que trabalha com a laranjinha-de-pacu (Pouteria glomerata) chegou a estocar 90 kg do fruto em 2019, mas guardou apenas 3 kg em 2020, ano dos grandes incêndios no Pantanal. Já em Antônio Maria Coelho, o grupo de mulheres que trabalha com a bocaiuva (Acrocomia aculeata) perdeu mercado depois que o fogo atingiu as áreas de coleta. Lá, a polpa é desidratada em secadoras fechadas, para que a poeira do minério não chegue aos frutos.

A segunda frente é o apoio permanente às brigadas comunitárias, que combatem o fogo nos territórios. A cada ano, parte dos brigadistas deixa o grupo, e é preciso recompor as equipes, repor equipamentos e organizar novas formações.

A terceira é o acompanhamento de comunidades tradicionais envolvidas em conflitos pelo território, como Porto Esperança. Os moradores denunciam o tráfego intenso de carretas de minério de ferro e o barulho constante perto das residências. Também relatam danos à saúde causados pela poeira do minério e apontam falhas na fiscalização da atividade.

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