Mato Grosso do Sul, 7 de outubro de 2026

Ciência ajuda Polícia Científica a desvendar acidentes em MS

Trabalho pericial reconstrói colisões e alerta para preservação

Marcas de pneus, fragmentos de peças, deformações nos veículos e a posição final dos envolvidos são elementos vitais para desvendar a dinâmica de acidentes de trânsito. Em ocorrências graves, esses vestígios são analisados meticulosamente pela Polícia Científica de Mato Grosso do Sul (PCi-MS) para produzir a prova técnico-científica que subsidia as investigações judiciais.

No mês do Maio Amarelo, campanha global dedicada à segurança viária, a instituição reforça que a prevenção também depende de compreender os fatores que geram os acidentes — sejam eles comportamentais, veiculares ou estruturais.

“O papel da instituição é materializar a verdade através da ciência. Nós não buscamos culpados, buscamos entender a dinâmica do evento”, afirma o perito criminal Emerson Lopes dos Reis, diretor do Instituto de Criminalística (IC) da PCi-MS.

O trabalho de campo e a física aplicada

A equipe pericial é acionada em episódios com mortes, lesões graves ou suspeita de crimes de trânsito. No local, os profissionais realizam registros fotográficos e métricos, aplicando princípios da física e da engenharia para estimar velocidade, trajetórias e a sequência dos impactos.

Ao analisar uma marca de frenagem, por exemplo, calcula-se a energia dissipada pelo veículo considerando a extensão do rastro e o coeficiente de atrito do pavimento. Fatores externos — como sinalização deficiente, iluminação, buracos e condições climáticas — também entram na equação para identificar se houve falha humana, mecânica ou viária.

A importância vital da preservação do local

Um dos maiores desafios da perícia é a alteração das cenas antes da chegada da equipe. Remover detritos ou afastar veículos, mesmo que minimamente, pode comprometer a precisão do laudo final.

  • Prejuízo ao cálculo: Mover um automóvel pode inviabilizar a descoberta da velocidade real no momento do impacto.
  • Perda de vestígios: Limpar a pista apaga fragmentos que determinam, por exemplo, quem invadiu a contramão.

Tecnologia e exames complementares

A PCi-MS conta hoje com o auxílio de drones, scanners a laser e softwares de simulação tridimensional, tecnologias que agilizam o registro da cena, reduzem o tempo de interdição das vias e tornam os laudos visualmente mais compreensíveis.

Em casos fatais, o trabalho ganha o suporte do Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL). A necropsia aponta se a morte foi causada pelo impacto ou por um evento anterior, como um mal súbito. Componentes de segurança dos veículos, como freios e airbags, também passam por exames laboratoriais dedicados.

Além de solucionar casos isolados, o mapeamento técnico da Polícia Científica ajuda a identificar padrões de risco em trechos específicos de rodovias e avenidas, servindo de base para melhorias de engenharia e sinalização que salvam vidas no futuro.

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