Mato Grosso do Sul, 8 de outubro de 2026

Campo Grande une corretores no combate ao Aedes em imóveis vazios

Imobiliárias vão rastrear focos de dengue em locais fechados

A Prefeitura de Campo Grande firmou uma parceria inédita para transformar corretores de imóveis e imobiliárias em aliados estratégicos no combate ao mosquito Aedes aegypti. O termo de cooperação, assinado nesta semana, visa monitorar casas e terrenos fechados, desocupados ou disponíveis para venda e locação, locais que historicamente concentram criadouros dos transmissores da dengue, zika e chikungunya.

A ação integra as secretarias municipais de Saúde (Sesau), de Articulação Regional (Sear), de Meio Ambiente e Gestão Urbana (Semades) e o Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Mato Grosso do Sul (Creci-MS). Durante as vistorias de rotina e atendimento a clientes, os profissionais do setor imobiliário passarão a identificar riscos, eliminar água parada e notificar irregularidades ao poder público.

Capacitação e o desafio dos imóveis abandonados

Para atuar na linha de frente preventiva, os profissionais do setor receberão treinamento especial da Vigilância em Saúde por meio do “Projeto Colaborador Voluntário”. Criado em 2019, o programa já conta com mais de 300 instituições parceiras na capital sul-mato-grossense, incluindo universidades e conselhos de classe.

Segundo a superintendente de Vigilância em Saúde da Sesau, Veruska Lahdo, os imóveis sem moradores representam um dos maiores gargalos para os agentes de endemias.

“Muitas vezes sobra todo o trabalho para o poder público, porque alguns proprietários já não moram mais aqui ou existem disputas judiciais envolvendo o imóvel. Para nós, não adianta só notificar se não houver a limpeza, porque o risco para a população continua ali”, explicou a superintendente.

Selo de prevenção e engajamento do setor

Como forma de incentivo, a iniciativa lançará o selo “Imóvel Livre do Aedes aegypti”, uma certificação que vai reconhecer as imobiliárias e propriedades comprometidas com as boas práticas de manutenção e higiene.

Para o presidente do Creci-MS, Roberto da Cunha, a cooperação técnica vai facilitar a rotina dos corretores e gerar um ganho coletivo para a cidade. O secretário da Semades, Ademar Silva Júnior, endossou que a união fortalece a fiscalização e o cuidado com os terrenos diante do crescimento acelerado do município.

Saúde preventiva antes da rede hospitalar

A estratégia da administração municipal foca no bloqueio da transmissão antes que ela pressione as unidades de saúde. Com a nova rede de monitoramento capilarizada pelo setor imobiliário, a expectativa é aumentar significativamente a eficiência do controle de vetores em bairros residenciais e comerciais.

  • Ação rápida: Corretores podem eliminar pequenos focos (como vasos e recipientes) imediatamente durante a visita técnica.
  • Rede ampliada: Mais de 300 entidades agora atuam de forma coordenada na cidade.
  • Alvo certeiro: Foco em imóveis sem placas de imobiliárias ou com donos não localizados.

O secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, reforçou a importância do engajamento social. “O combate à dengue precisa acontecer antes da doença chegar às unidades de saúde. Ao envolver os corretores, criamos uma rede de vigilância muito mais próxima da realidade da cidade”, concluiu.

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