Diploma pode mais que dobrar salário no Brasil

Ter ensino superior no Brasil pode significar muito mais do que um título acadêmico: pode representar salários, em média, 148% maiores em comparação aos de quem concluiu apenas o ensino médio. O dado faz parte do relatório Education at a Glance (EaG) 2025, da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), que analisa a educação em 38 países-membros e parceiros, incluindo o Brasil.
Apesar da vantagem salarial, o estudo revela desafios estruturais. Apenas 20,5% dos brasileiros com 25 anos ou mais têm diploma universitário, segundo o IBGE. Além disso, um em cada quatro estudantes abandona o curso após o primeiro ano, e menos da metade conclui a graduação mesmo três anos depois do prazo esperado — índices bem abaixo da média da OCDE.
Outro dado preocupante é que 24% dos jovens de 18 a 24 anos não estudam nem trabalham (NEETs). Essa taxa é quase o dobro da média dos países da organização, e afeta mais mulheres (29%) do que homens (19%).
No cenário internacional, o Brasil está entre os países com maior diferença salarial para quem conclui o ensino superior, atrás apenas da Colômbia e da África do Sul. Porém, o investimento por aluno ainda é baixo: cerca de US$ 3.765 anuais (R$ 20 mil), contra a média da OCDE de US$ 15.102 (R$ 80 mil).
Para a OCDE, os desafios brasileiros incluem melhorar a orientação no ensino médio, ampliar a inclusão no ensino superior e elevar a qualidade dos cursos. “As baixas taxas de conclusão prejudicam o retorno do investimento público, agravam a falta de profissionais qualificados e limitam oportunidades”, afirmou o secretário-geral da organização, Mathias Cormann.



